As criações e os erros do CEO da Nintendo

Em sua carreira na Nintendo, o que Iwata mais buscava era inovar na forma de jogar videogame, tendo criado o Wii e o Nintendo DS

São Paulo – Morto no sábado, 11, o presidente da Nintendo, Satoru Iwata, foi responsável pelos maiores sucessos da companhia nos últimos anos, como o Wii e Nintendo DS e 3DS. Porém, sua relutância em entrar no mundo dos jogos para smartphones e a falta de franquias novas prejudicaram as vendas e competitividade da fabricante de videogames. 

Satoru Iwata morreu aos 55 anos, devido a um câncer de origem digestiva. O anúncio oficial foi feito na manhã de hoje, 13.

Ele era apenas um adolescente quando a Nintendo entrou no universo dos videogames. Ambicioso e contra o desejo dos pais, começou desenvolvendo jogos como free lancer e em 1982 ingressou em uma parceira da Nintendo, a Hal Laboratory.

Na época, criou o jogo Baloon Fight e a franquia Kirby. Entrou na Nintendo em 2000 e, em 2002, foi promovido à presidência, sucedendo Hiroshi Yamauchi. Iwata foi o quarto presidente da empresa e o primeiro que não fazia parte da família Yamauchi.

Inovação

Em sua carreira na Nintendo, o que Iwata mais buscava era inovar na forma de jogar videogame. “Não estamos buscando a tecnologia da próxima geração, mas sim o ‘game play’ da próxima geração”, afirmou em 2004. Foi assim que ele lançou o Nintendo DS e o 3DS, jogos portáteis. 

Além disso, Iwata também criou o Wii. Os controles sensíveis a movimento eram algo que nenhum console já existente conseguia fazer. Quando foi lançado, em 2006, o aparelho se tornou um sucesso de vendas e de crítica.

O Amiibo foi outra criação inovadora. Os bonecos dos personagens da Nintendo se comunicam com o console e guardam informações, como configurações ou treinamentos. Ele foi um dos responsáveis pelo primeiro lucro anual da Nintendo em quatro anos, em 2014, e já vendeu mais de 10,5 milhões de unidades.

Desaceleração

Apesar das criações revolucionárias, nos últimos anos a Nintendo perdeu consumidores tanto para desenvolvedores de aplicativos para smartphones quanto para rivais como a Sony e a Microsoft, que têm o PlayStation e o Xbox, respectivamente.

As vendas do Wii U, sucessor do Wii, não ajudaram a aumentar os números da empresa. Enquanto o Wii vendeu mais de 100 milhões de unidades entre 2006 a 2014, o Wii U não logrou do mesmo sucesso. Vendeu apenas 10 milhões de unidades desde 2012.

Segundo o Wall Street Journal, um dos erros foi se concentrar apenas em jogadores casuais. Ao contrário dos mais aficionados, que estão sempre consumindo novos jogos, esses jogadores “estão contentes com jogar os mesmos títulos, de novo e de novo”, afirmou o jornal.

Além disso, durante muito tempo, Iwata relutou em levar a marca Nintendo para além dos consoles de videogame, colocando suas esperanças em games de sucesso como o “Mario Kart 8” e personagens cativantes, como o Mario, Donkey Kong e Zelda.

Retomada e smartphones

Depois de muitos pedidos de consumidores, analistas, investidores e até dos próprios executivos, a companhia precisou ceder. Anunciou, em março deste ano, que firmou uma parceria com a japonesa DeNA Co., desenvolvedora de jogos, para criar uma nova plataforma mobile.  

O primeiro jogo da Nintendo para smartphones deverá ser lançado até o final do ano e outros quatro serão anunciados até março de 2017. “Pode parecer pouco, mas queremos fazer de cada título um sucesso”, afirmou Iwata na ocasião.

Um dos obstáculos, para Iwata, era o método de pagamento, já que muitos jogos para celulares são gratuitos, mas lucram com quantidades enormes de pequenos pagamentos feitos dentro do jogo.

“A Nintendo não pretende escolher métodos de pagamento que podem afetar a imagem da marca ou a propriedade intelectual”, disse Iwata ao Time

Porém, “finalmente encontramos uma solução para o problema. Não iremos meramente adaptar games desenvolvidos para nossos consoles para smartphones, do jeito que eles estão. Iremos desenvolver um novo software, que combina perfeitamente com o estilo de jogo e os mecanismos de controle desses aparelhos”, disse ele.

O objetivo final seria levar novos consumidores das telas de celular aos seus consoles e jogos tradicionais. 

Na vida real

Além do desenvolvimento de games para smartphones, a companhia anunciou, em junho deste ano, que poderá levar seus personagens para um parque de diversões.

A Nintendo formou uma parceria com a Universal Parks & Resorts, para “criar experiências dedicadas e espetaculares baseadas nos populares games, personagens e mundos da Nintendo”.