Após Google e AOL, qual o próximo passo de Tim Armstrong?

Tim Armstrong assumiu o comando da AOL e transformou a empresa em uma potência do setor de mídia on-line. Agora, ele decidiu vender a companhia à Verizon

Quando Tim Armstrong assumiu o comando da AOL Inc., ela estava perdendo o fôlego com seus antiquados negócios de conexão discada e era considerada concluída.

Então, o ex-chefe de publicidade da Google Inc. gastou mais de US$ 1 bilhão em aquisições para transformar a empresa em uma potência do setor de mídia on-line e uma pioneira em propaganda digital.

Na terça-feira, seis anos depois de ter se tornado CEO da AOL, Armstrong decidiu vender a companhia à Verizon Communications Inc. por um montante avaliado em US$ 4,4 bilhões.

E agora? Brian Wieser, analista da Pivotal Research Group, disse que era difícil prever quanto tempo Armstrong, 44, iria permanecer na Verizon depois que a venda for concluída. “Depende”, disse Wieser. “Será que ele está pensando em dirigir a companhia toda?”.

Verizon, a maior provedora wireless dos EUA, vai pagar US$ 50 por ação – um prêmio de 17 por cento sobre o preço da AOL na segunda-feira – e as empresas disseram que Armstrong vai continuar conduzindo as operações da AOL.

Elas não definiram prazos, mas Armstrong disse em uma entrevista que ficaria mais de três anos.

“Eu não teria me comprometido com o acordo se não estivesse comprometido com a Verizon”, disse ele, descartando insinuações de que quisesse comandar a empresa de telecomunicações.

Não é provável que ele fique na companhia muito mais tempo do que for preciso, “a menos que exista um caminho viável” para o cargo mais alto, disse Paul Sweeney, analista da Bloomberg Intelligence. “Ele não vai ser um dos subordinados”, disse Sweeney.

“Ele foi um CEO de sucesso e chegou o momento de passar para uma empresa de US$ 30 bilhões, US$ 40 bilhões ou US$ 50 bilhões”.

Trajetória

A AOL está longe disso: seu valor de mercado é US$ 3,96 bilhões. No dia 10 de dezembro de 2009, primeiro dia de suas operações na Bolsa de Valores de Nova York, a empresa valia US$ 2,49 bilhões.

As ações subiram cerca de 80 por cento desde então, menos que o índice Standard Poor’s Midcap 400, que mais do que dobrou.

Armstrong entrou na empresa pouco antes de ela ser separada da Time Warner Inc. Ele tinha estado nove anos na Google e é reconhecido por ter ajudado a transformá-la no colosso de publicidade que é hoje.

Na AOL, ele se concentrou em vídeo e mídia on-line e na chamada publicidade programática, que emprega algoritmos computadorizados ao invés de funcionários de vendas para comprar e vender espaços publicitários em sites.

Ele orquestrou o renascimento da companhia principalmente por meio da aquisição de outras empresas. A maior foi a compra por mais de US$ 400 milhões, em 2013, da Adap.tv, que combina anunciantes e editores de vídeo por meio de trocas.

A AOL também comprou o The Huffington Post e os sites TechCrunch e Engadget. A empresa vem desenvolvendo séries on-line de vídeo, convocando atores como Steve Buscemi e James Franco e o documentarista Morgan Spurlock, produtor executivo do seu reality show de meia hora “Connected” (“Conectado”, em tradução livre).

A companhia tem um acordo com a NBC Universal para disponibilizar videoclipes de canais como Bravo e E! nos sites e aplicativos da AOL.

Futuro

Armstrong não quis dizer se pretendia comandar uma empresa grande algum dia.

“Tive sorte em minha carreira por ter encontrado algo que adoro fazer, que é mídia e tecnologia. Meu objetivo é construir a maior plataforma de mídia do mundo para a Verizon”.

Na sexta-feira passada, a AOL informou lucros para o primeiro trimestre que superaram as estimativas dos analistas; as vendas na unidade de plataformas, que inclui publicidade digital, cresceram 21 por cento e chegaram a US$ 279,8 milhões, apesar de a unidade ter perdido US$ 10 milhões.

“Armstrong merece ser reconhecido”, disse Wieser. “É claro que ele entendeu para onde o mundo da publicidade digital estava indo”.