Apesar de Uber e 99, Indigo investe R$ 200 mi em estacionamentos no Brasil

Entre seus clientes, estão a Arena Corinthians, o Hospital Sírio Libanês e o Boulevard Shopping Camaçari

Que os aplicativos de transporte mudaram o mercado de mobilidade urbana não há dúvida. Mas, para uma das maiores empresas de estacionamento do mundo, ainda há espaço para o tradicional carro próprio.

A Indigo vai investir mais de 200 milhões de reais no Brasil este ano, para manter seu ritmo de crescimento no país. Com faturamento de 620 milhões de reais no país em 2018, espera fechar o ano com 710 milhões de reais.

Globalmente, a companhia tem 2,3 milhões de vagas em 5,6 mil estacionamentos em 10 países e mais de 750 cidades. São mais de 20 mil funcionários no mundo e faturamento de 765 milhões de euros. No país, gerencia mais de 200 estacionamentos em 22 estados, com 192 mil vagas.

Seu foco são contratos com empresas. Ao invés de abrir estacionamentos de rua, tem clientes como hospitais, shoppings, universidades, aeroportos e estádios. Entre seus clientes, estão a Arena Corinthians, o Hospital Sírio Libanês e o Boulevard Shopping Camaçari.

Este ano, firmou um contrato com o grupo Tenco de shopping centers, para operar 11 estacionamentos do grupo. Também abriu 23 novos estacionamentos, chegando a mais de 200 operações no Brasil, com 190 mil vagas.

Em 2018, chegou a quatro novos estados e 16 cidades, principalmente no Nordeste. Ao invés de competir com concorrentes – e com os aplicativos – a companhia está atrás de shoppings, hospitais e supermercados que façam sua própria gestão de estacionamento – ou que sequer cobrem pelo uso das vagas.

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Nova mobilidade urbana

“A grande bomba dos aplicativos já caiu. Agora, precisamos pensar como organizamos esse modal com outras formas de transporte“, diz  Thiago Piovesan, diretor-executivo da Indigo no Brasil.

Por ser focada em parcerias com empresas como hospitais e shopping centers, a operação brasileira não sofreu tanto quanto as europeias, mais baseadas em prédios comerciais. Em algumas cidades europeias, o movimento em estacionamentos caiu de 20% a 30%.

Com o surgimento de novas modalidades de mobilidade, como aplicativos de transporte, patinetes elétricos e bicicletas, a companhia precisou se transformar. “A maneira como usamos carros e estacionamentos vai mudar”, diz o diretor.

Globalmente, ela já atua com patinetes, bicicletas e carros elétricos. Inclusive, instalou hubs de conexão, espaços que funcionam como terminais para carros, bicicletas e o transporte público.

No Brasil, o principal foco de desenvolvimento é seu meio e pagamentos. Chamado de OPNGO, a ferramenta permite entrar no estacionamento sem pegar um bilhete e pagar pelo aplicativo.

Não é a única empresa de mobilidade a investir em meios de pagamentos. O Sem Parar, usado em pedágios, postos de gasolina e estacionamentos, chegou a 240 unidades de drive-thru do McDonad’s em São Paulo.

Já a Yellow, aplicativo de patinetes e bicicletas, permite pagamento de boletos e compra de créditos de celular.

A companhia já investe em outros modelos de negócios há décadas. Ela surgiu na França nos anos 1960, com o nome GTM. Nas décadas seguintes, a empresa passou a oferecer mais do que vagas de estacionamento: alugava também guarda-chuvas, bicicletas e sacolas. Em 2001, a GTM e Sogeparc se uniram para formar a Vinci Park, que em 2015 trocou o nome para Indigo.

Agora, ela tem uma parceira de peso para crescer pelo mundo. Em março deste ano, firmou uma joint venture com a Sunsea Parking, a líder em estacionamentos na China. Cada uma deverá investir cerca e 30 milhões de euros nos próximos anos.

Na China, a posse de carros cresce 10% ano a ano desde 2014 e o país também é um dos maiores produtores de veículos do mundo. Assim, a companhia irá acompanhar de perto as últimas novidades da indústria automotiva – e do mercado de estacionamentos.