Aos 80 anos, Monopoly continua crescendo com ajuda de Frozen

Como manter o crescimento de um jogo da época da crise de 1929 oitenta anos depois? É só continuar dando às pessoas um motivo para comprar uma nova versão

Nova York – Como manter o crescimento de um jogo de tabuleiro como o Monopoly, da época da Grande Depressão, na crise de 1929, oitenta anos depois? É só continuar dando às pessoas um motivo para comprar uma nova versão.

Essa tem sido a estratégia da Hasbro Inc., que criou centenas de versões do jogo no intuito de reconquistar os mesmos compradores. As edições especiais do Monopoly incluem de tudo, do time de futebol americano New England Patriots ao seriado de TV “The Walking Dead”. Atualmente, a variação mais vendida na Amazon.com se baseia no filme “Frozen”, da Walt Disney Co. (“Quem arrecadar mais dinheiro vai derreter o coração de gelo e ganhar”).

A incessante reinvenção do Monopoly ajudou a fomentar a demanda em uma época em que as crianças estão hipnotizadas por smartphones e tablets. As vendas do produto aumentaram mais de 15 por cento nos três últimos anos e, recentemente, vêm superando o restante da oferta de jogos de tabuleiro da Hasbro.

Um impulsor fundamental foi um concurso de peões em 2013: em uma votação, as pessoas eliminaram um dos peões do Monopoly e escolheram outro para substituí-lo. Depois de um intenso lobby virtual, o gato substituiu o ferro.

“A partir desse momento, começamos de fato a explorar esse diálogo com nossa base de fãs e a assegurar-nos de escutá-los e fazer coisas com o jogo”, disse Jonathan Berkowitz, vice-presidente de marketing de jogos da Hasbro, em entrevista na Feira Internacional de Brinquedos em Nova York nesta semana.

Monopoly, que comemora seu 80º aniversário no mês que vem, é um dos pontos fortes da apática categoria de jogos da Hasbro.

O total de vendas desses produtos caiu 4 por cento no ano passado e jogos clássicos como Twister contribuíram para o declínio, disse a empresa no início deste mês. O valor se compara com o crescimento de 20 por cento da categoria Meninos, um grupo que inclui Nerfe Transformers.

‘Volatilidade crescente’

Monopoly tem mais apelo entre os colecionadores do que outros jogos, em parte devido à variedade. Tomemos o exemplo de Lauren Showers, uma fã de Monopoly, de Mount Pleasant, Michigan. Essa professora do Ensino Médio, de 23 anos, tem seis tipos diferentes do jogo.

“Eu simplesmente me divirto muito com ele”, disse ela.

Mesmo assim, o negócio dos jogos de mesa passou por uma “volatilidade crescente” ao longo da última década, disse Sean McGowan, analista da indústria de brinquedos da Needham Co., em Nova York.

Os aparelhos móveis estão exigindo mais atenção e muitas famílias não têm tempo para brincar com um jogo que dura horas.

A Hasbro criou versões do Monopoly para computadores e aplicativos móveis, mas também conta com a tecnologia para medir o que fazer com seus jogos de tabuleiro. A equipe de Berkowitz utiliza contas nas redes sociais e pesquisas quantitativas para obter uma resposta do público, além de um “laboratório da diversão”, onde os jogos são testados com crianças, disse ele.

“Temos muitos testes do tipo cara-a-cara e observamos como as crianças e as famílias reagem às coisas”, disse Berkowitz.

Enquete do BuzzFeed

Uma nova versão, chamada Monopoly Here and Now (“Monopoly Aqui e Agora”, em tradução livre), substituirá Boardwalk e outros imóveis por cidades escolhidas em uma enquete do BuzzFeed. A lista final será anunciada no dia 19 de março, dia do aniversário oficial do Monopoly.

Ao mesmo tempo em que a Hasbro se empenha mais em manter o Monopoly atual, o jogo conserva sua legião de fãs incansáveis. Um deles é Dan Fernandez, um colecionador de 63 anos que mora perto de Dove Creek, Colorado.

Todas as manhãs ele acorda, leva sua esposa ao trabalho, alimenta os bichos de estimação e vai direto para o computador. Acompanhado por uma xícara de café, ele vasculha o eBay em busca de memorabilia do Monopoly. Embora sua coleção se dedique às versões mais antigas do produto, Fernandez acha que o jogo continua sendo relevante hoje.

“Ele faz parte da cultura americana”, disse ele.