Ambev vende menos cerveja no Brasil, mas receita ainda cresce

Uma simples mudança de calendário levou a empresa a ganhar mais, ainda que vendendo menos

São Paulo – A Ambev, líder do mercado de cervejas no Brasil, vendeu menos no terceiro trimestre do ano. Mesmo assim, suas receitas cresceram.

O volume de vendas de cervejas caiu 5,4% no Brasil, principalmente por conta da queda da indústria. No acumulado do ano, a queda no volume vendido foi de 1,1%. A Ambev ainda teve desempenho superior ao mercado, que caiu cerca de 2% no ano, de acordo com a Nielsen.

Mesmo com a queda, a receita líquida cresceu 9,7%. De modo geral, o aumento na receita foi de 9,6%, na América Latina Sul de 21,3%, e na América Central e Caribe de 7,5%.

Isso porque o aumento de 15,8% na receita por hectolitro de cerveja balanceou a queda no trimestre.

O principal motivo que levou a empresa a ganhar mais, ainda que vendendo menos, foi a mudança no seu calendário. Esse ano, a empresa decidiu ajustar os preços das bebidas no terceiro trimestre, enquanto no ano passado a mudança ocorreu no quarto trimestre.

Ou seja, os preços estavam mais altos esse ano que no ano passado. Por isso a diferença nas receitas na comparação anual “mais do que compensando a queda no volume”, explica a empresa.

Outro estímulo para o aumento das receitas é a venda de bebidas mais caras e premium. “A ‘Premiunização’ é uma tendência que deve continuar promovendo a categoria de cerveja. Os volumes de premium aumentaram esse trimestre, com nosso portfólio de marcas globais, composto por Budweiser, Stella Artois e Corona, crescendo dois dígitos”, diz a empresa em sua divulgação de resultados.

A empresa mudou a identidade visual da Skol e da Brahma, o que gerou aumento de intenção de compra de dois dígitos, afirma a empresa.

Dessa forma, a operação no Brasil entregou um EBITDA, resultado antes de juros e impostos, de 2,38 bilhões de reais, aumento de 17,4%.

Lucro caiu 95%

O lucro líquido da companhia foi de foi de 223 mil reais no trimestre, queda de 95% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior.

O resultado foi afetado por um ajuste tributário não recorrente de 2,97 bilhões de reais, relacionado ao Programa Especial de Regularização Tributária (PERT).

A Ambev aderiu a um programa especial de regularização tributária e deverá pagar aproximadamente 3,5 bilhões de reais, dos quais cerca de 1,0 bilhão de reais será pago em 2017 e o restante será pago em 145 parcelas mensais a partir de janeiro de 2018.

Sem contabilizar esse efeito extraordinário, o lucro líquido ajustado teria atingido 3,24 bilhões de reais, 1,2% a mais que no mesmo trimestre do ano anterior.