Ambev condiciona investimento recorde à manutenção de impostos

Aumento da tributação, no ano passado, não foi repassada aos consumidores, diz empresa

São Paulo – A Ambev (Companhia de Bebidas das Américas) condicionou a implementação de seu bilionário plano de investimentos, anunciado em março, à manutenção das alíquotas de impostos que incidem sobre o setor de bebidas. Em teleconferência nesta quarta-feira (5/4), a companhia informou que, no ano passado, sofreu reajuste de 15% na alíquota de IPI, PIS e COFINS. Segundo Nelson Jamel, diretor financeiro e de relações com investidores, o aumento não foi repassado para os consumidores (clique aqui para ler a cobertura da teleconferência).

A Ambev pretende abrir três fábricas no Brasil em 2010, entre novas construções e expansão de unidades. A empresa deve investir 2 bilhões de reais para ampliar entre 10% e 15% sua capacidade produtiva no país. É o maior investimento já feito pela companhia em um único ano desde que ela foi criada.</p>

O lucro líquido do primeiro trimestre foi de 1,650 bilhão de reais, o que significou um incremento de 3,9% sobre o mesmo período de 2009. O volume total de vendas de bebidas da companhia registrou um crescimento orgânico de 9%. As condições macroeconômicas do país colaboraram para o resultado. “A operação brasileira foi a principal responsável pelos bons resultados da AmBev”, disse Jamel.

Reestruturação

Apesar dos bons resultados a empresa decidiu fechar uma fábrica no Canadá. “O mercado canadense não cresce”, disse Jamel. Segundo o executivo, esta foi uma decisão de melhorar o parque fabril e não de redução da presença no país, onde a empresa ainda mantém seis fábricas.

A empresa credita aos investimentos em inovações o bom desempenho do trimestre. Entre os carros-chefe das novidades estão a Antártica sub-zero e a Brahma Fresh. Durante a Copa do Mundo, no inverno brasileiro, a companhia espera obter os mesmos resultados de vendas dos meses de verão.


Meio ambiente

O diretor destacou a atuação sustentável da Ambev. Ela reduziu em cerca de 27% a utilização de água na produção de bebidas e vem usando um sistema de compartilhamento de caminhões com outras empresas. Em cinco meses os caminhões da companhia deixaram de emitir 1,8 mil toneladas de gás carbônico. No ano passado, 98,2% do subproduto gerado no processo de fabricação de bebidas foi reaproveitado, o que gerou uma receita extra de 78,8 milhões de reais.

Nesse ano a companhia lançou o Movimento CYAN, uma campanha para estimular o consumo consciente de água. Duas ações do projeto são o cálculo de toda a cadeia produtiva da AmBev e a adoção da Bacia do Corumbá-Paranoá em Brasília (DF) para desenvolvimento de estudos sobre melhor aproveitamento da água pelas indústrias e pela comunidade local.

Força do Brasil

A Ambev continua se beneficiando da combinação de crescimento da renda disponível aos consumidores e dos ganhos de participação de mercado, de acordo com a corretora Link Investimentos. Por isso o volume de vendas de cerveja da companhia no Brasil aumentou 15,9% no trimestre e o segmento de RefrigeNanc (não-alcoólicos e não-carbonatados) cresceu 12,9%, resultados que superaram as expectativas da corretora.

O ebitda (lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação) da empresa foi de 2,806 bilhões de reais no primeiro trimestre de 2010, o que representou um crescimento orgânico de 15,5% em relação ao mesmo período do ano passado. O número superou as expectativas, de acordo com a Link.

Na parte internacional, as vendas continuaram sendo impactadas pela queda no volume de cerveja na Argentina, mas nos demais países houve recuperação. A operação brasileira continua sendo o destaque, principalmente por causa do expressivo aumento de participação no mercado de cervejas e do cenário macroeconômico positivo, segundo a Link. O volume de vendas vem se recuperando nos outros países de atuação da Quinsa (subsidiária da AmBev), com exceção da Argentina.


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Na parte financeira a empresa continua muito sólida, com uma relação de dívida líquida/ ebitda de 0,2x. Além disso, a Ambev continua remunerando bem seus acionistas e distribuiu um bilhão de reais em dividendos e juros sobre capital próprio no trimestre, de acordo com comunicado da Link.