Amazon perde a briga contra o Instagram, mas ficou ainda mais forte

O aplicativo Spark não ficou muito conhecido e acabou sendo engolido pelo Instagram, que lançou funções para compras

Um produto da Amazon fracassou, dois anos após seu lançamento, mas a gigante do comércio eletrônico não parece preocupada. A companhia está encerrando as atividades de seu rival do Instagram, chamado de Spark. O aplicativo foi criado em 2017 como um novo canal de vendas.

Na rede, os consumidores eram encorajados a postar fotos de itens que compraram pela varejista online e recomendar, dar dicas e sugestões sobre os produtos. Os usuários podiam clicar em itens nas fotos, que seriam adicionados automaticamente ao carrinho de compras. Apenas usuários Prime, que pagam um valor anual para ter acesso a diversos serviços da companhia, tinham acesso à rede social de compras.

Mas a Spark não gerou a centelha necessária para crescer. O aplicativo não ficou muito conhecido e acabou sendo engolido pelo Instagram, que lançou diversas funcionalidades para compras.

Segundo um relatório do Deutsche Bank, obtido pelo Business Insider, a funcionalidade de compras dentro do aplicativo do Instagram deve gerar mais de 10 bilhões de dólares em receitas para a rede social em 2021. O segredo é a função Checkout, que facilita o processo de compra pelo Instagram – semelhante à ideia inicial da Spark.

No entanto, o aplicativo da Amazon não tinha o mesmo apelo da rival. Desconhecido e com pouco engajamento, a maior parte do feed de imagens era produzido pela própria empresa. Faltou a parte social da rede de compras.

Com o fim das atividades,  desenvolvimento da rede social Spark poderia ser visto como um erro da varejista. No entanto, a cultura da gigante estimula tentativas, erros e acertos, como é comum em startups que ainda estão descobrindo seu caminho.

O aprendizado com o Spark será usado no novo projeto da empresa, o #FoundItOnAmazon, ou Encontrei na Amazon, e no Interesting Finds, ou Achados Interessantes, plataformas que oferecem um novo jeito de encontrar novos produtos no marketplace da varejista. Segundo um porta-voz da Amazon, “a companhia pivotou e estreitou a experiência com base no que ressoou com os clientes”, de acordo com o The Verge.

Para a empresa, “é sempre o Dia 1”. “O Dia 2 é seguido pela irrelevância. Seguido por declínio excruciante e doloroso. Seguido pela morte. E é por isso que é sempre o dia 1”, escreveu Jeff Bezos, fundador e presidente da empresa, em carta.

Há alguns anos, quando a Amazon anunciou o fim do Fire Phone, a experiência da companhia no segmento de smartphones, Bezos viu o fiasco – e os 170 milhões de dólares gastos no projeto – como algo bom. “Se você pensa que esse é um grande fracasso, estamos trabalhando em fracassos muito maiores no momento. Não estou brincando”, disse ele na época.

Por conta do seu tamanho, a empresa tem potencial para cometer erros gigantescos. O aprendizado, porém, pode ser ainda maior.