Amante da vida, Abilio Diniz cria plano para vencer a morte

Aos 77 anos, o bilionário brasileiro luta boxe, joga squash, puxa ferro e continua tendo filhos

Portland – Abilio Diniz pode correr para trás. Em uma esteira. No escuro. Aos 77 anos de idade.

Não odeie Abilio Diniz. Ele quer que você faça todas as coisas que ele faz quando você também estiver chegando nos 80, como lutar boxe, jogar squash, puxar ferro e até mesmo procriar: ele tem uma filha de 7 anos e um filho de 3 anos com a segunda esposa, Geyze, que tem 41 anos — mais jovem do que os quatro filhos do seu primeiro matrimônio.

Diniz escreveu seus segredos em um livro titulado “Caminhos e Escolhas”, conforme a Bloomberg Pursuits informará na sua edição do segundo trimestre de 2014. É um sucesso de vendas no Brasil, onde Diniz mora e fez sua fortuna – por volta de US$ 3,5 bilhões, segundo o índice Bloomberg Billionaires – ao transformar uma cadeia de supermercados na maior varejista do país.

Diferentemente de outros bilionários que se deixaram levar por foie gras e os profiteroles – ou, no caso de Warren Buffet, cinco latas de Coca-Cola sabor cereja por dia –, Diniz tem uma fórmula apurada de viver que, segundo ele, enganará a morte.

“Tenho que acreditar que sou eterno”, disse em uma entrevista da sua mansão modernista no frondoso bairro Jardins, em São Paulo. “Mesmo com certo declínio em termos físicos – um pouco menos de força, um pouco menos de tonicidade muscular –, estou ganhando muito em termos de experiência. Estou obtendo a sabedoria da idade sem os problemas do envelhecimento”.

Diniz possui uma abordagem de seis pontos que é simples de entender, mas mais difícil de seguir, particularmente à medida que as décadas se acumulam: uma dose diária de exercícios estrênuos, queimar mais calorias que as consumidas, limitar desapiedadamente os compromissos, explorar a psique interna, rezar a Deus e, acima de tudo, manter-se apaixonado.

“Eu amei as mulheres da minha vida ferozmente”, disse ele. “Cada uma no seu tempo”.


A abordagem de Diniz

O melhor motivo para adotar a particular abordagem de Diniz é o próprio homem. Ele não somente está em boa forma; ele é sarado. Seus braços são musculosos. Seus abdominais são um tanque. E ele continua trabalhando tão duramente como sempre.

Ainda na presidência da sua rede de supermercados Pão de Açúcar, ele comprou no ano passado uma participação na BRF SA, a maior produtora de alimentos no Brasil; tornou-se presidente em abril e, em agosto, nomeou um novo CEO para incentivar o crescimento.

Como muitos outros aspirantes a gurus, Diniz fala sobre a importância da paz interior. Católico devoto, ele costuma misturar Oriente e Ocidente: medita perante uma estátua da Virgem Maria, por exemplo, em uma capelinha branca do lado de duas piscinas no seu quintal repleto de palmeiras.

Arranjando briga

Mas Diniz não é nenhum Dalai Lama. Ele não ficou rico procurando a paz, mas arranjando briga. Ele afastou quatro dos seus cinco irmãos do império de supermercados, priorizando os negócios à família. A própria mãe cortou relações com ele durante anos, disse Diniz. Naquela época, ele arrumava brigas durante jogos de polo e era extremamente violento no trânsito.

Diniz disse que amadureceu desde então. Contudo, os socos continuam sendo parte da sua rotina. Duas manhãs por semana, enquanto o barulho do trânsito incipiente se mistura com o canto dos pássaros subtropicais, Diniz luta boxe na sua academia particular, agregando seus socos duros à trilha sonora da cidade.

Na sua busca da eternidade, Diniz admite que se beneficiou também da genética: o pai morreu aos 94 anos; a mãe, aos 98.

Seu último pilar é a paixão. Geyze, que trabalhou como planejadora no Pão de Açúcar antes de se casar, diz que Diniz ainda está com tudo.

“Abilio é super-romântico, afetuoso, sereno”, disse ela em entrevista de 2012 à Alfa, uma revista para homens. “Nunca brigamos. No sexo, ele é como um menino. Ele tem vigor. Não somente é sarado; ele tem saúde, e seu corpo funciona”.