ALL diz ter condição de absorver volume de grãos de 2014

Diretor afirmou que a empresa apresenta todas as condições favoráveis para capturar o volume da safra agrícola de grãos em 2014

São Paulo – O diretor Financeiro e de Relações com Investidores da América Latina Logística (ALL), Rodrigo Campos, afirmou nesta quarta-feira, 26, que a empresa apresenta todas as condições favoráveis para capturar o volume da safra agrícola de grãos em 2014, que deve crescer 3,6% sobre a colheita passada segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

O executivo mencionou a resolução dos problemas com equipamentos nos terminais do Porto de Santos e a normalização do tráfego no corredor de exportação que liga o litoral paulista à região produtora do Centro-Oeste como fatores que aumentam a confiança da companhia de absorver os volumes desperdiçados em 2013.

“Em um ano de operação portuária normal a ALL tem tudo para capturar o que deixou de transportar no ano passado”, afirmou. Em 2013, a ALL conviveu com restrições no escoamento provocadas por incêndio no shiploader – equipamento que carrega os navios graneleiros – no principal terminal de operação ferroviária em Santos, o Terminal de Granéis do Guarujá (TGG), que afetou volumes de commodities agrícolas durante todo o quarto trimestre de 2013. Também sofreu em razão de um acidente com o shiploader no Terminal 39, o segundo mais importante terminal de descarga ferroviária, que limitou sua capacidade até novembro.

Campos mencionou ainda, como um importante vetor para o aumento de volumes agrícolas para a ALL em 2014, a operação em plena capacidade do complexo de Rondonópolis (MT). No ano passado a concessionária inaugurou um trecho de 206 quilômetros desde o município de Alto Araguaia (MT) até Rondonópolis. Para 2014 a empresa espera que os embarques de grãos ocorram em sua maioria no novo extremo da linha, o que significa um aumento da distância média transportada. “A ALL vê um mercado promissor em 2014 por conta da safra recorde e da operação a todo vapor no projeto Rondonópolis”, disse.

A única restrição que permanecerá no Porto de Santos, segundo Campos, é a de embarques de açúcar afetados em 2013 pelo incêndio que destruiu o terminal da Coopersucar e obras nas moegas – instalação que serve para movimentar granéis sólidos – do terminal da Rumo Logística. No entanto, ele acredita que grande parte do gargalo seja resolvido a partir do início do segundo semestre com a reconstrução das instalações da Coopersucar. “É possível que no segundo semestre a situação no sistema do açúcar esteja perto da normalidade”, afirmou.

Duplicação até Santos

A ALL espera obter ainda no primeiro trimestre as licenças restantes para avançar nas obras de duplicação das linhas ferroviárias entre Campinas e Santos, disse o diretor Financeiro e de Relações com Investidores da companhia, Rodrigo Campos. A partir da autorização, as obras devem durar um ano até que a malha seja liberada com uma capacidade para 37 pares de trem – medida que equivale à quantidade de composições em ambas direções da via -, ante 15 pares na situação atual.

A licença se refere a quatro terras indígenas nos municípios de Itanhaém e São Paulo e ainda falta a aprovação da Fundação Nacional do Índio (Funai). “O processo está avançando”, afirmou ao Broadcast. “Existe uma chance de as autorizações serem liberadas no primeiro trimestre deste ano, mas não posso garantir”, completou.

Campos disse, ainda, que o investimento na obra de duplicação não depende da Rumo Logística ou de qualquer outra parceira para ser realizado. O executivo afirmou que o montante necessário para o término da duplicação, de pouco mais de R$ 100 milhões, é relativamente pequeno em comparação ao capex de R$ 700 milhões por ano alocados pela companhia para o aumento de produtividade de suas linhas. “Lembro, ainda, que o caixa das operações ferroviárias da ALL fechou 2013 com R$ 2,5 bilhões”, disse o diretor.

ALL e Rumo, subsidiária da Cosan, possuem um contrato que prevê investimentos para a duplicação da malha com o objetivo de aumentar o transporte de açúcar até o Porto de Santos. O acordo, porém, está sob processo de arbitragem.