Alba: o novo alvo da Unilever

Lucas Amorim

Celebridades lançando seus próprios negócios não chega a ser uma novidade. O volume, e a ambição, são cada vez maiores. O rapper Jay-Z, por exemplo, lançou em 2015 o serviço de música Tidal para competir com o Spotify. O ator Ashton Kutcher, foi investidor de startups como FourSquare e Skype. O apresentador Luciano Huck investe em mais de 20 negócios. A lista de donos de restaurantes e casas noturnas é quilométrica: Sandra Bullock, Clint Eastwood, Al Pacino, Fernanda Lima.

Mas a atriz americana Jéssica Alba está levando a transição para o mundo dos negócios a outro patamar. Ela foi estrela de sucessos de bilheteria como Sin City e Quarteto Fantástico. Há cinco anos, fundou junto com três sócios a Honest Company, uma fabricante de produtos orgânicos para bebês com sede em Santa Monica, na Califórnia. Agora, Alba está em negociações para vender sua empresa para a gigante de bens de consumo Unilever por mais de 1 bilhão de dólares, segundo o jornal Wall Street Journal. O cheque pode chegar a 1,7 bilhão de dólares — avaliação feita na última rodada de investimentos da companhia, em 2015. Se o negócio não for em frente, a companhia continua estudando a opção de abrir o capital.

A Honest Company é um sucesso financeiro desde a largada. Já conseguiu mais de 200 milhões de dólares de investidores como General Catalyst Partners (sócia do Snapchat e do Airbnb), Lightspeed Venture Partners (que já investiu em mais de 200 negócios no Vale do Silício). Seu faturamento chega a estimados 300 milhões de dólares por ano, vendendo tanto em seu próprio site quanto em 4.400 varejistas, de pequenas empresas a grandes varejistas como Target e Whole Foods.

Seria a segunda startup comprada pela Unilever com um cheque de nove zeros em dois meses. Em julho, a empresa comprou a Dollar Shave Club, um clube de assinaturas de lâminas de barbear que entrega produtos mensalmente na casa dos clientes por preços que começam em um dólar. Naquela ocasião, a compra foi o caminho mais curto para a companhia entrar no promissor mercado de assinaturas, sucesso especialmente entre os consumidores mais jovens, e bater de frente com a P&G, dona da líder de mercado Gillette. A Honest Company seria um passaporte para outro mercado promissor — o de cosméticos e produtos de limpeza “verdes”.

A Honest Company virou um alvo para as grandes empresas porque conseguiu criar uma base fiel de clientes entre as mães mais jovens e antenadas. Vende fraldas descartáveis e produtos de limpeza e cosméticos sem produtos químicos considerados agressivos e alergênicos.

Alba de fato trabalha lá. Tem uma mesa no meio do escritório aberto com cerca de 500 funcionários. Ela decidiu criar a empresa quando estava grávida de seu primeiro filho, Honor, hoje com oito anos. Como costuma acontecer, ganhou uma enxurrada de roupinhas. Quando foi lavar a primeira leva, com um detergente dado pela mãe, surtou. “E se meu bebê for alérgico? E se a garganta dele fechar?”.

Na mesma noite, ela jogou o nome dos ingredientes no Google e descobriu que algumas substâncias tóxicas poderiam ser rotuladas como fragrâncias. Depois, descobriu que a agência reguladora americana proibia apenas 12 substâncias químicas, enquanto na Europa mais de 1.300 químicos eram considerados inseguros. Decidiu imediatamente que tinha uma oportunidade de negócios nas mãos.

A empresa começou a tomar forma em 2011, quando Alba conheceu o empreendedor Brian Lee, que havia vendido sua primeira empresa por 200 milhões de dólares. Hoje, Lee é o presidente executivo. A empresa começou com 17 produtos e, claro, Jessica Alba como principal ferramenta de marketing. Hoje, são mais de 130 itens para bebês, entre pasta de dentes, vitaminas, detergentes. Em 2015, a empresa chegou à Coreia, e estuda ir para outros mercados — uma estratégia que certamente seria acelerada pela Unilever.

Recentemente, a Honest Company se viu envolvida em uma sucessão de polêmicas. Em 2015, precisou mudou a fórmula de seu protetor solar após denúncias de queimaduras. No início do ano, uma reportagem do Wall Street Journal revelou que o detergente de roupas continha sulfato de sódio, uma das substâncias químicas que a empresas dizia evitar. Em abril, a empresa recebeu uma enxurrada de processos de mães que alegavam que as fórmulas infantis não eram 100% orgânicas como a empresa alegava. Alba sempre negou as acusações e afirmou que é perseguida por ser um “alvo fácil”. Nada que afugente a Unilever.