Acordo dá US$ 9 bi à Petrobras e reforça bom momento da petroleira

A União vai pagar 9 bilhões de dólares na revisão do contrato da cessão onerosa do Pré-Sal. Valor de mercado da estatal subiu 21% este ano

A Petrobras deve ter um dia agitado na bolsa nesta quarta-feira, 10, após a confirmação, na noite de ontem, de uma notícia aguardada há tempo por investidores. A União fechou um acordo com a petroleira para pagar 9 bilhões de dólares na revisão do contrato da cessão onerosa do Pré-Sal — o valor ficou dentro da margem de 8 a 10 bilhões esperada pelo mercado.

O valor remonta a 2010, quando o governo e a Petrobras fecharam um acordo para que a companhia explore 5 bilhões de barris na Bacia de Santos. Na época, a petroleira pagou 42 bilhões de dólares pelo direito de exploração, com a previsão de uma revisão posterior, que vem sendo discutida há seis anos. Especialistas afirmam que, ao invés dos 5 bilhões previstos inicialmente, a área tem de 10 a 15 bilhões de barris, excedente que será leiloado pelo governo em outubro. O valor acertado na noite de ontem é uma indenização à petroleira pela cessão deste excedente. O presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, afirmou que os 9 bilhões de dólares devem ser usados para ampliar a exploração da área.

Em meio à paralisia de muitas áreas do governo federal, a estatal teve 100 dias agitados em 2019. Na sexta-feira, a companhia anunciou a venda de 90% da Transportadora Associada de Gás (TAG) para a franco-belga Engie e o fundo canadense CDPQ por 8,6 bilhões de dólares. A estatal afirmou que manterá o serviço de transporte de gás graças a acordos de longo prazo. A TAG tem 4.500 quilômetros de gasodutos nas regiões Norte e Nordeste e sua venda, questionada por sindicatos, seria a maior da história da Petrobras.

Em outra frente, segundo o jornal O Globo, a Petrobras vai negociar com o governo do Uruguai sua saída do país, devolvendo as concessões de duas distribuidoras de gás natural. A operação é deficitária e acumula prejuízos de 116 milhões de dólares, segundo o jornal. A empresa também pretende deixar a distribuição de combustíveis e lubrificantes no país, onde tem 89 postos. Sindicatos também vêm fazendo pressão contra o negócio.

O enxugamento da estrutura da estatal é bem visto por investidores. As ações da companhia subiram 21% este ano. Desde o início do processo de melhorias de gestão da petroleira, em 2016, seu valor de mercado mais que quintuplicou, para 406 bilhões de dólares.