Abiótica adota selo para combater o contrabando

O setor óptico resolveu parar de encarar o contrabando apenas como crime para enfrentá-lo como um real concorrente no mercado. Para isso, pretende lançar, em abril, um selo holográfico que garanta a origem do produto. “Queremos que o consumidor possa distinguir o nosso produto na loja”, afirma o economista Synésio Batista da Costa, presidente da Associação Brasileira de Produtos e Equipamentos Ópticos (Abiótica). “Essa será a nossa arma contra o contrabando.”

O setor estima ter faturado cerca de 800 milhões de reais em 2001 com a venda de 21 milhões de óculos por prescrição e 7 milhões de óculos solares. Esse total, de acordo com a Abiótica, representa um crescimento de 6,5% sobre o faturamento de 2000. Pelos cálculos da associação, o mercado brasileiro na realidade tem o dobro do tamanho, mas 47,5% são ocupados pelo contrabando. A importação legal responde por 18,7% do total movimentado pelo setor, e a indústria nacional, por 33,7%.

Um dos sinais da ascensão do contrabando é a queda nos números de importação legal: em 2001, os óculos importados no Brasil responderam por vendas de 50 milhões de dólares em 2001, contra 52 milhões em 2000. Por outro lado, a qualidade e a competitividade do produto dos 70 fabricantes nacionais vêm sendo atestadas pelo aumento das exportações: de 24 milhões de dólares em 2000, para 30 milhões em 2001. “O consumidor nacional que quiser qualidade, com a indicação dada pelo selo, vai rejeitar o produto contrabandeado”, afirma Costa.