A Toyota de hoje, e de amanhã

Após anos de bonança, a montadora japonesa Toyota deixou claro hoje que tem uma série de desafios à frente. Na virada do ano, a companhia perdeu a liderança mundial da venda de automóveis para a alemã Volkswagen, deixando o topo que sustentava desde 2012. Hoje, o balanço do trimestre encerrado no dia 31/12, que marca o terceiro do ano fiscal da empresa, mostra que o faturamento encolheu 6% em um ano, enquanto o lucro encolheu 24%. A meta para o ano que termina em março é vender 8,9 milhões de carros mundo afora.

Entre os principais motivos para a perda de espaço da Toyota estão o crescimento da Volkswagen na China – onde a companhia vendeu 3,98 milhões de carros em 2016, 12,2% a mais do que em 2015 – e a dificuldade em aumentar as vendas de seus sedãs nos Estados Unidos. A montadora japonesa lidera o setor, que perde cada vez mais espaço para as SUVs e picapes. A baixa demanda no mercado japonês também não colabora para que a empresa mantenha seu padrão dos últimos anos.

Se 2016 foi difícil, 2017 é uma grande incerteza. A Toyota foi um dos alvos dos ataques do presidente americano Donald Trump, que ameaçou a companhia com um “imposto de fronteira”, caso continuasse com seus planos de abrir uma nova fábrica no México. Em resposta, a montadora anunciou um investimento de 600 milhões de dólares em uma planta já existente no estado de Indiana, adicionando 400 empregos ao local. A empresa conta com a aproximação de Trump com o premiê japonês Shinzo Abe para tentar se beneficiar com o imprevisível ocupante da Casa Branca.

Além disso, o Grupo Toyota tenta achar a saída para dias melhores por outro caminho. Na quinta-feira passada, o braço da companhia que fabrica máquinas pesadas anunciou a compra da Bastian Solutions, uma empresa que produz sistemas de automação industrial, para fazer parte de sua recém-criada divisão de logística. Frente ao crescimento alemão e aos problemas americanos, os japoneses investem no futuro. Afinal, o mundo não vai terminar em 2017.