A reestruturação da Kodak

Plano inclui 15 000 demissões no mundo todo

A mania da foto digital trouxe vários benefícios para os consumidores: paga-se hoje, em média, 35% menos do que há dois anos por uma boa câmera digital e cerca de 30% menos por cópia revelada. O manuseio do equipamento deixou de ser coisa só para iniciados e a oferta de serviços ligados à nova era cresceu bastante. O resultado foi que as vendas das máquinas devem bater este ano na casa dos 400 000, o triplo de três anos atrás, e a procura por acessórios e revelação vem aumentando dia a dia.

Para a Eastman Kodak, isso é ótimo. Ela espera vender, no mundo todo, 50 milhões de máquinas de fotografia digitais este ano quase o dobro do total de 2002. Mas é ao mesmo tempo um problema. A expectativa é de vender 40 milhões de máquinas analógicas, quase a metade de há dois anos.

Com 68 000 funcionários, 36 000 lojas licenciadas e faturamento de 13,3 bilhões de dólares em 2003, a rede enfrenta a dura realidade da troca de tecnologia. Embora tenha investido em uma câmera digital há quase 30 anos (em 1976), a gigante americana conhecida pela produção de filmes, câmeras e papel fotográfico em todo o mundo demorou a reagir ao avanço das empresas japonesas, que passaram do setor de eletrônicos para o de fotografia.

Isso fez o valor de mercado da Kodak despencar de 20 bilhões de dólares para 6 bilhões. Atualmente, a cotação é de 9,6 bilhões. O programa de reestruturação da empresa inclui a eliminação de 15 000 postos de trabalho e a redução do número de fábricas em um terço.