A receita é paparicar

Gestão de RH à antiga

Nos últimos três anos, a caixa Vera Regina da Conceição, de 40 anos, conseguiu realizar dois de seus sonhos: fez uma excursão pela Europa e um cruzeiro marítimo do Rio de Janeiro a Florianópolis. No mesmo período, o assistente administrativo Tarcísio Araújo Júnior, de 32 anos, viajou a Porto Seguro e a Amsterdã. Não foi exatamente a perseverança em poupar que levou Vera e Júnior tão longe. As viagens foram um presentinho de Nelson Laskowsky, chefe de ambos e dono do Fellini, um restaurante de comida a quilo sofisticado (serve iguarias como pernil de lagosta e escargot) localizado no Leblon, na zona sul carioca.

Uma das receitas preferidas de Laskowsky, quando o assunto é a gestão do Fellini, é paparicar os funcionários. “Procuro saber os sonhos do pessoal para, quando possível, realizá-los”, diz ele. Além de viagens, Laskowsky já presenteou pessoas de sua equipe com um computador e um carro. No Fellini, todos têm direito a plano de saúde e a um salário extra no dia do aniversário. Aqueles que não atrasam para o trabalho mais que duas vezes no mês ganham uma cesta básica de brinde.

Mais que premiar para motivar, Laskowsky diz que procura colocar em prática o discurso de que uma equipe de trabalho deve ser unida como uma família. Ele conta, por exemplo, que os funcionários comem do mesmo bufê do qual os clientes se servem. E diz que Ana Maria, sua mulher e responsável pelo dia-a-dia da operação, vai a festas de primeira comunhão dos filhos dos funcionários.

O cuidado, segundo ele, dá resultados. A rotatividade de pessoal no Fellini é baixa: dos 60 funcionários, 50 têm mais de quatro anos de casa. “Trabalhamos com prazer como se fôssemos sócios”, diz Vera, que está no Fellini desde 1993, ano da inauguração do restaurante. “Como o bolo é dividido de forma justa, todos ganham”, diz Araújo.

Laskowsky afirma que a gestão de RH melhora a imagem do restaurante e ajuda no relacionamento com os fornecedores. Recentemente, por exemplo, a Rio de Janeiro Refrescos, engarrafadora local da Coca-Cola, financiou parte da compra de um quadro para decorar o salão do Fellini. A fabricante de sorvetes Itália está confeccionando 90 000 copinhos com a sua logomarca e a do Fellini para os clientes do restaurante. “A imagem de qualidade do Fellini é o maior estímulo para parcerias como essa”, afirma Rodrigo Braga, dono do Sorvete Itália. “Por causa dela, também nos dispomos a fazer entregas de produto fora dos dias previstos.”