A ofensiva dos países ocidentais contra a Huawei

EUA foram os primeiros a restringir a atividade da Huawei no país e lançaram uma campanha para convencer seus aliados a fazer o mesmo

A Huawei, líder em infraestrutura de telecomunicações para a rede de internet móvel 5G, está na mira de vários países ocidentais, que adotaram medidas contra a companhia chinesa, acusada de espionagem e de ser uma ameaça para a segurança.

O ministro chinês das Relações Exteriores, Wang Yi, denunciou uma campanha internacional “injusta e imoral”.

Estados Unidos

Os Estados Unidos foram os primeiros a restringir a atividade da Huawei no país e lançaram uma campanha para convencer seus aliados a fazer o mesmo.

No final de 2012, um relatório da Comissão de Informação do Congresso dos Estados Unidos considerou que as tecnologias da Huawei e de outra companhia chinesa, a ZTE, poderiam ser usadas contra a segurança do país e pediu que fossem excluídas de contratos públicos.

O relatório afirmou que Huawei, uma empresa fundada por um ex-engenheiro do exército chinês, “não cooperou plenamente com a [sua] investigação e estava relutante em explicar suas relações com o governo chinês”.

A Huawei ficou de fora das infraestruturas de telecomunicações do país.

Em dezembro de 2017, uma carta de legisladores afirmou que a tecnologia da empresa chinesa era “uma ameaça à segurança” dos Estados Unidos.

Em paralelo, os grupos de telecomunicações A&T e Verizon, assim como a distribuída BestBuy, decidiram parar de vender os telefones da marca nos Estados Unidos.

Em agosto de 2018, o presidente Donald Trump, no orçamento militar de 2019, confirmou a proibição de funcionários do governo e militares de usar dispositivos fabricados pela Huawei e pela ZTE.

Austrália, Nova Zelândia, Japão

Em 2012, as autoridades da Austrália proibiram a Huawei de se apresentar a uma licitação para o programa nacional de internet de banda larga, temendo ataques informáticos.

Em 2018, a Austrália excluiu a Huawei do plano de desenvolvimento do 5G, considerando que “o envolvimento de provedores suscetíveis de estarem submetidos a decisões extrajudiciais de um governo estrangeiro” constituía um risco para a segurança nacional.

Em novembro, a Nova Zelândia seguiu os passos da Austrália, oficialmente por incompatibilidade tecnológica.

E em dezembro o Japão fez o mesmo, com a aprovação de um regulamento para evitar “vazamentos de informação”, mas sem citar especificamente a Huawei, segundo o jornal Nikkei.

República Checa

Em dezembro, a agência checa de cibersegurança advertiu que o uso de programas e equipamentos da Huawei e ZTE constituía uma ameaça à segurança da República Checa.

“As leis chinesas impõem às companhias privadas com sede na China cooperação com os serviços de informação”, indicou a agência.

Polônia

Um dos diretores da Huawei na Polônia foi preso em janeiro pelo serviço de inteligência polonês ABW, acusado de espionagem para Pequim. Uma autoridade do governo afirmou que o país está fazendo um inventário dos equipamentos da Huawei para evitar riscos.

Outros países preocupados

No Reino Unido, onde o governo diz estar “muito preocupado”, a operadora Vodafone suspendeu as compras de material da Huawei para suas infraestruturas na Europa.

Por sua vez, a empresa BT anunciou em dezembro que irá remover os materiais da Huawei de suas redes 3G e 4G existentes.

A Alemanha foi mais cautelosa. O presidente do órgão alemão de cibercrime (BSI) disse em dezembro que “para tomar decisões tão sérias quanto um boicote, são necessárias provas”.

Na França, existem duas operadoras que usam equipamento Huawei em sua rede 4G e estão testando em 5G. O ministro das Relações Exteriores, Jean-Yves Le Drian, falou na semana passada sobre os “riscos” da Huawei.

Na Noruega, cujas redes usam equipamentos da Huawei, o governo disse que está refletindo sobre “reduzir a vulnerabilidade”.