A íris é a senha

A utilização do reconhecimento de íris em controles de segurança saiu do laboratório

Abrir portas simplesmente olhando para um sensor óptico não é mais cena de filmes de ficção. A biometria através do reconhecimento de íris deixou os laboratórios e as telas do cinema e já começa a ocupar o mundo real para garantir a segurança de locais que têm acesso restrito. Um dos pioneiros na utilização desse tipo de tecnologia é o TIC, o Telefônica Internet Data Center.

No prédio de 10 000 metros quadrados em Alphaville, São Paulo, cinco das portas só podem ser abertas por um número limitadíssimo de pessoas através do reconhecimento de íris. Essas portas escondem, ou melhor, protegem verdadeiros tesouros: as informações dos quase 90 clientes do Data Center.

Para colocar o sistema em prática foi utilizado o IrisAccess, da LG. A solução funciona com uma unidade de registro óptico que fica instalada na recepção do TIC e faz o cadastro de cada uma das pessoas que vão poder abrir as portas. Na hora do cadastramento, a recepcionista registra os dados e determina as portas que poderão ser abertas e os dias em que o acesso poderá ser feito. O processo é rápido e não dura mais do que 10 segundos. As informações são enviadas do servidor para uma unidade de identificação e controle, que faz uma espécie de gerenciamento dos leitores de íris que ficam em cada uma das portas.

O reconhecimento de íris não é o único sistema biométrico disponível hoje. Mas, então, por que essa foi a opção escolhida? “Escolhemos o reconhecimento de íris porque ele é praticamente infalível e mais preciso que os outros existentes”, afirma Eugenio Peñalver, diretor-geral da Telefônica Engenharia de Segurança, que foi a empresa responsável pelo esquema de segurança do TIC.

Quando um cadastramento é feito, a imagem da íris é totalmente mapeada e transformada num código, o Iris Code. Essa codificação chega a ter 400 pontos de reconhecimento, bem mais que um sistema de digitais dos dedos, que tem 60 pontos.

Tamanha precisão garante a proteção do sistema de segurança contra fraudes, segundo a LG. As diferenças são tantas que o indivíduo que faz o cadastro do olho esquerdo deve fazer a leitura somente do olho esquerdo. Caso seja lido o olho direito, os dados não são válidos.

Toda essa tecnologia e segurança não são baratas. Cada uma das estações leitoras custou cerca de 8 000 dólares ao TIC, que recebeu investimento inicial de 50 milhões de dólares no início de suas operações em abril.

Além de guardar os registros de cada um dos usuários, o IrisAccess também é capaz de armazenar todas as informações relacionadas à utilização dos leitores. Como os dados não são armazenados em imagens e sim em códigos, eles ficam bem menores e com tamanho aproximado de 512 bytes. O usuário pode ter conhecimento de todas as pessoas que passaram por uma determinada porta. Além disso, quando uma pessoa não-cadastrada tenta passar por uma das portas, o sistema, além de não permitir o acesso, armazena dados como horário e código da íris dessa pessoa. É a segurança a cada piscar de olhos.

A segurança está no corpo

O IrisAcess, no TIC: é o olho que abre caminhoAlém do reconhecimento de íris, outros sistemas de biometria já são utilizados para garantir a segurança de informações e lugares.

Mão – A geometria da mão tem seus adeptos. Nela é feita uma análise tridimensional do tamanho e formato da mão.

Voz – O reconhecimento de voz é considerado o menos seguro dos recursos biométricos, por ter alta probabilidade de erro na identificação.

Impressão digital – Esse modelo já começa a ganhar maior popularidade, permitindo o acesso a lugares e redes de computadores.

Face – O reconhecimento através da geometria facial delimita ponto na face e define proporções entre olho, nariz, queixo, maçãs do rosto e orelhas.

Assinatura – O reconhecimento da letra de uma pessoa também pode ser utilizado como meio de segurança.

O poder da íris
Por que a utilização do reconhecimento de íris é considerada mais segura por vários especialistas?

É a única parte do ser humano que se forma aos seis meses de idade e nunca mais muda.

Possui 400 pontos de identificação.

A probabilidade de duas íris serem idênticas é de 1×1052.

A íris não pode ser modificada com cirurgia plástica.

Criar uma íris falsa ou tentar utilizar um cadáver é impossível.