A guerra de versões na greve dos Correios

Segundo os Correios, todas as agências, inclusive nas regiões que aderiram à greve, estão abertas

A greve dos Correios que se iniciou na noite do último domingo contabiliza 70% de adesão dos trabalhadores nesta segunda-feira, de acordo com o Sindicato dos Trabalhadores dos Correios de São Paulo, Região Metropolitana de São Paulo e Zona Postal de Sorocaba (Sintect-SP).

No Rio de Janeiro, há participação de 80% dos funcionários, segundo o Sindicato dos Trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios Telégrafos e Similares do Rio de Janeiro (Sintect-RJ). A paralisação das atividades acontece por tempo indeterminado.

A empresa traz números diferentes. Levantamento parcial realizado pelos Correios na manhã desta segunda-feira mostra que 87,15% do efetivo total da empresa – ou mais de 92 mil empregados – está trabalhando. Segundo os Correios, todas as agências, inclusive nas regiões que aderiram à greve, estão abertas. A estatal teria acionado um plano para diminuir os impactos da greve.

A principal reivindicação dos funcionários é referente ao plano de saúde, que poderá ter cobrança de mensalidade e mudanças quanto à possibilidade de inclusão de dependentes.

O argumento é de que os salários são em média os mais baixos dentre os servidores de empresas públicas e estatais (1.600 reais) e que os custos com o plano podem chegar a 900 reais, dependendo da idade do trabalhador. Os trabalhadores protestam também contra alterações em cargos e salários, terceirização de serviços, a possibilidade de privatização da empresa, problemas referentes a benefícios, o fechamento de agências e a favor da contratação de mais funcionários.

Entre 2013 e 2017, a empresa teve prejuízos superiores a 6 bilhões de reais. Ano passado o governo chegou a sinalizar uma privatização ou abertura de capital da estatal, mas o plano ficou na gaveta como todo o pacote de concessões e privatizações do governo.

Em nota, os Correios classificaram como “injustificado e ilegal” o movimento grevista. Segundo a empresa, o assunto do planos de saúde foi exaustivamente discutido com os funcionários, sem sucesso. “A empresa aguarda uma decisão conclusiva por parte daquele tribunal [TST] para tomar as medidas necessárias, mas ressalta que já não consegue sustentar as condições do plano, concedidas no auge do monopólio, quando os Correios tinham capacidade financeira para arcar com esses custos”, diz trecho do texto.