A mudança de rumo da GE

É sempre um grande evento quando uma companhia que está entre as dez maiores do mundo em valor de mercado apresenta seus resultados anuais. É um evento maior ainda quando essa companhia permeia campos que vão da produção de equipamentos para exploração de petróleo e gás, passam pela produção de turbinas para energia renovável e aviação e chegam ao setor de máquinas para a saúde e transporte, além do forte braço financeiro. A General Electric, 10ª maior companhia do mundo, com valor de mercado de 276 bilhões de dólares, faz tudo isso e hoje, antes de os mercados abrirem, revelará como foi seu último trimestre de 2016.

A expectativa é de ganhos de 46 centavos de dólar por ação da companhia, abaixo dos 52 centavos de dólar por ação do mesmo período do ano passado. A receita do trimestre deve ficar em 33,9 bilhões de dólares, o mesmo que faturou no mesmo período de 2015. As ações da GE tiveram impacto positivo com a eleição de Trump – e seu discurso nacionalista – mas depois de semanas de euforia, reverteram um pouco do resultado positivo.

Como é comum depois de períodos de crise econômica, ainda mais com companhias centenárias como a GE, a empresa está se reposicionando para o futuro. A tendência é que se retire de áreas que não avalia como prioritárias para focar no crescimento do setor de indústria digital. Em dezembro, anunciou que colocou à venda suas soluções de “negócios industriais”, que faz basicamente máquinas elétricas para indústrias, e de “tratamento de água”, que são os equipamentos para tratamento de água e saneamento. Ambas combinadas devem gerar 4 bilhões de caixa, e têm 13.000 empregados em 30 fábricas ao redor do mundo.

No terceiro trimestre, a combinação de vendas de ativos da GE chegou a 139 bilhões de dólares, com a maior parte vindo do desinvestimento do GE Capital, que foi quase todo vendido para o Wells Fargo. No total, o plano de desinvestimentos do conglomerado deve girar em torno de 200 bilhões de dólares. Mas tudo, claro, vai depender das ações do novo ocupante da Casa Branca.