A cidade e o sonho

Uma proposta inovadora para ensinar crianças a viver em sociedade acaba de ser submetida ao governo paulista e a várias empresas paulistanas pela Fundação Internacional Centro da Criança (ICFC), que planeja implantar em todos os continentes “cidades” infantis. O arquiteto americano Daniel Whitman, fundador e presidente da ICFC, falou a EXAME SP em sua recente passagem por São Paulo que, em 2004, deverá receber o primeiro centro da fundação.

Como surgiu o Centro da Criança?

Numa viagem a Varsóvia, em 1998, visitei uma mostra de arte de crianças mortas no campo de concentração de Treblinka durante a Segunda Guerra Mundial. As obras refletiam seus sonhos: ter uma família, ir para a escola, estar em contato com a natureza. As crianças de hoje nutrem os mesmos sonhos. Foi então que me ocorreu a idéia de desenvolver um projeto que desse voz às crianças, que lhes permitisse cultivar relacionamentos num ambiente social harmonioso junto à natureza.

Por que São Paulo foi escolhida?

Até o momento, as cidades que mais se interessaram pelo projeto foram Amsterdã, Varsóvia, Montreal e Chicago. Decidimos começar por São Paulo não apenas por se tratar da cidade mais importante da América Latina, mas também por ser a mais desigual — o que gera inúmeras oportunidades de recuperação e participação da comunidade local. Temos alguns lugares em vista como, por exemplo, o Parque do Estado, na zona sul.

Como pretende viabilizar o projeto?

Contamos com a colaboração de fundações e empresas no mundo todo. No Brasil, participam do conselho: Carlos Tilkian, da Estrela, Jaime Greene, da agência de publicidade Leo Burnett, o professor José Goldemberg, da USP, e Letícia Costa, da consultoria Booz-Allen. Nosso orçamento para o centro europeu gira em torno de 25 milhões de dólares. Em São Paulo, a primeira fase do projeto, que prevê a construção de um parlamento infantil, um centro de conferências e um museu, deve ficar entre 5 e 10 milhões de dólares.

SEMPRE CABE MAIS UM

A Atlantica Hotels International, especializada em administração hoteleira, inaugura neste ano oito hotéis na capital. Dois deles serão abertos em maio, em Guarulhos e nos Jardins. No segundo semestre, ganharão unidades novas os bairros de Pinheiros, Vila Olímpia, Ibirapuera, Aeroporto e as zonas norte e sul. O investimento previsto é de 215 milhões de reais.

Enquanto isso, a rede de flats Parthenon, do grupo Accor, diversifica-se. Em seu terceiro ano de atividade, o braço de flats de escritórios apresenta ocupação média de 80% e rentabilidade para os investidores de 0,5% a 0,7%. É uma boa notícia em meio às reclamações e perdas de quem entrou na moda do investimento em flats. A Parthenon Office deve faturar 2 milhões de reais neste ano.

LUCRANDO NO VÁCUO

A Queensberry, operadora de turismo criada em Londres e há 20 anos instalada em São Paulo, aposta no segmento de viagens com guias, que ficou “órfão” desde a quebra da Soletur, no final do ano passado. Com investimento de 2 milhões de reais, a empresa está lançando o programa Brasileiros no Mundo. Aproveitando a estrutura deixada pela Soletur, o programa oferecerá aos viajantes tours com guias brasileiros nas principais cidades da Europa, Oceania, África e Canadá. Com essa novidade, a expectativa é dobrar o faturamento e atingir 40 milhões de dólares em 2002.

CURTAS

O Continental Square Faria Lima, um empreendimento da construtora Inpar, vai abrigar a maior academia de ginástica de São Paulo. Será uma filial da Reebok Sports Club, com 6 000 metros quadrados e capacidade para 5 000 alunos. Também fazem parte do complexo uma torre de escritórios, hotel e centro de convenções. As obras devem ser entregues em junho de 2003.

Pesquisa do Shopping Center Norte revela que metade de seus freqüentadores é da zona norte e 20% vêm de outras cidades. Além disso, 88% são das classes A e B. A cada mês, o shopping recebe 4,5 milhões de pessoas.

A Aliança Francesa está investindo 2 milhões de reais no desenvolvimento de um complexo cultural no centro de São Paulo, onde fica sua principal unidade. Já o Colégio Humboldt está à frente de um projeto de 6,5 milhões de reais para criar outro complexo, que inclui o primeiro teatro da região de Interlagos.

A mineira Ale Combustíveis, que possui 28 postos na Grande São Paulo, planeja abrir mais 12 unidades até o fim de 2002. A expectativa é faturar 176 milhões de reais no ano.

BANCA TAMBÉM É VAREJO

Os executivos Paulo Humberg (ex-Lokau e Lojas Americanas) e Leonardo Xavier (ex-Submarino) começam a operar em maio a ProBanca, empresa voltada para a distribuição de CDs, DVDs e publicidade em bancas de jornal. “O consumidor já compra outros itens além de jornais e revistas”, afirma Humberg. “As bancas podem se tornar um forte canal de vendas para a indústria fonográfica e de vídeo.” Inicialmente, a ProBanca espera atingir 1 200 pontos da capital, o equivalente a 20% do total. A previsão para seis meses é vender produtos em 2 500 bancas de todo o país. O faturamento estimado com a venda de CDs e DVDs chega a 30 milhões de reais por ano, ou 3,5% do setor. Se a iniciativa der certo, Humberg e Xavier também pretendem comercializar celulares e ingressos para shows e competições esportivas.

APRENDENDO O CASUAL

A Yachtsman, rede de lojas de roupas masculinas, percebeu uma oportunidade na tendência de executivos de multinacionais trocarem o terno pelo estilo casual no dia-a- dia. No ano passado, a rede passou a oferecer orientação e descontos para clientes, confusos entre tantas novas opções de cores e combinações. Hoje, já atende a mais de 70 empresas, como American Express, ABN Amro e HSBC, Danone e Kodak. Também promove palestras regularmente. O faturamento esperado para 2002 é de 15 milhões de reais, 8% superior ao do ano passado.

A RECEITA DE ARNO

O chef Sergio Arno, proprietário de quatro restaurantes na capital, inicia em maio o ciclo de palestras Cozinha de Negócios, em que faz analogias entre gastronomia e vida corporativa. Algumas de suas dicas:

Num restaurante, saiba escolher e aproveitar todos os ingredientes, estruturar seu cardápio e investir na cozinha. O mesmo vale no mundo corporativo.

Entenda do seu negócio. É preciso entender de cozinha melhor do que seu cozinheiro — para não ficar em suas mãos.

Você não pode ser igual a todo mundo. Há mais de 30 000 restaurantes em São Paulo e poucos se destacam.