A banca revista

Revistarias ganham espaço no comércio de rua

Na hora de comprar jornais e revistas, você logo pensa na banca da esquina, certo? Não necessariamente. Nos últimos anos, a modernização do negócio levou algumas bancas a trocar os velhos quiosques de alumínio por outro espaço – as lojas. Parede adentro, com porta de vidro e visual mais atraente, elas adotaram um novo nome: revistaria. Antes restritas a aeroportos e rodoviárias, as lojas de revistas ganharam também as ruas. Quem mais cresceu nesse nicho foi a Revistaria Laselva. Ela nasceu como uma banca, há 50 anos, e se transformou numa rede que já conta com 36 unidades e espera chegar a 48 até o fim do ano. “Foi no Aeroporto de Congonhas, em 1985, que percebemos que o público se interessa mais por revistas do que por livros”, diz Marcia Laselva, representante do comitê executivo das três famílias proprietárias da empresa.

Das 36 unidades da rede, 21 estão na Grande São Paulo, e a principal delas fica na praça Charles Miller, ao lado do Estádio do Pacaembu. Em 2000, a Laselva faturou 38,5 milhões de reais. Revistas nacionais e importadas são responsáveis por 60% das vendas. O restante vem do comércio de livros, jornais, artigos de charutaria, cafés, sorvetes e um mix variado de conveniência. “Nosso leitor procura coisas prazerosas”, diz Marcia. “Nada muito didático ou específico. Na área profissional, só alguns livros de auto-ajuda.”

A Laselva não é a única no ramo. Há também lojas independentes, como a Revistaria Gato Azul, na avenida Pedroso de Morais, em Pinheiros. O dono da loja, Vladimir Massatelo, pretendia há três anos comprar uma banca de jornal no bairro. Acabou abrindo uma revistaria porque queria um ponto-de-venda de café com internet. “A idéia do cibercafé com revistaria não deu certo porque não conseguimos patrocinadores para comprar os equipamentos”, diz. Uma das mais antigas do país, a revistaria Di Donato, fundada em 1988, na rua Fradique Coutinho, também em Pinheiros, abriu as portas após a reforma de um ponto da família. Hoje, o dono, Victor Antonio di Donato, não tem do que reclamar. A receita bruta é de 300 000 reais por ano, o dobro da de uma banca convencional que os proprietários mantêm desde 1972 na rua João Moura, no mesmo bairro. “Não dá para ficar rico, mas consigo pagar as minhas contas, as de outros dois sócios e ainda manter um empregado”, afirma Di Donato. Segundo ele, numa revistaria o cliente se sente à vontade para ficar mais tempo e, assim, acaba gastando mais.

Venda em supermercados

De acordo com o Sindicato dos Vendedores de Jornais e Revistas da Cidade de São Paulo, há no país cerca de 30 000 pontos-de-venda de jornais e revistas. Só na Grande São Paulo são 11 000, incluindo 10 300 bancas, 300 revistarias e 400 postos de gasolina. O que mais vem crescendo é a venda em supermercados — há na metrópole 3 000 caixas que oferecem revistas. Francisco Ranieri Netto, presidente do sindicato, diz que a falta de segurança, a limitação de espaço nas calçadas e os anos sem novas licitações para a abertura de bancas (a última em São Paulo foi em 1995) fizeram crescer o número de revistarias. Os “revisteiros”, segundo Ranieri Netto, são geralmente empresários novos no setor, com capacidade de investimento superior à dos jornaleiros tradicionais. “O custo de manutenção e a carga de impostos são mais altos”, diz. “Por isso, é necessário ter um volume de venda bem maior que o da banca.”