A Ambev põe os dois pés na argentina

Futebol e cerveja

Parece que pelo menos o futebol e a cerveja estão conseguindo se salvar do caos em que a Argentina mergulhou. No futebol, o Boca Juniors, de Buenos Aires, é o atual campeão mundial interclubes, e a seleção nacional argentina está entre as favoritas para disputar a final da Copa do Mundo. No setor cervejeiro, a maior empresa do país, a Quinsa, fabricante da marca Quilmes — a mais vendida do país e patrocinadora do Boca Juniors –, conseguiu algo de que os argentinos estão precisando muito: uma boa injeção de dólares. Em dinheiro vivo, 346 milhões de dólares deverão ser depositados nas contas da família Bemberg, dona do controle acionário da Quinsa. O depositante será a AmBev, a maior cervejaria brasileira. A AmBev vai dar fábricas e ativos que já possui na Argentina, no Uruguai e no Paraguai em troca de ações da Quinsa, que teve receita líquida de 939 milhões de dólares no ano passado. A AmBev, três vezes maior em faturamento do que a Quinsa, investirá um total de quase 600 milhões de dólares para ter 37,5% do capital do grupo argentino. A companhia brasileira terá ainda a possibilidade de se converter em futura controladora da Quinsa, cedendo parte de suas ações à família Bemberg em proporção a ser calculada com base no desempenho das duas empresas.

É um bom negócio para a AmBev? “Apesar da situação difícil da Argentina, estamos otimistas”, diz Felipe Dutra, diretor financeiro da AmBev, já premiado com uma camisa do Boca. “O negócio ajuda nossa expansão na América Latina, cria valor para os acionistas e permitirá uma economia de 20 milhões de dólares por ano com a sinergia das operações.” Segundo ele, a Quinsa, com 69% de participação no mercado argentino, 54% no uruguaio e 80% no paraguaio, representará reforço de 45 milhões de dólares anuais na geração de caixa da AmBev, de 815 milhões em 2001.