7. Viviane Senna – Presidente do Instituto Ayrton Senna, uma das principais organizações brasileiras do Terceiro Setor

O senhor costuma dizer que o fato de uma equipe agir de maneira uniforme e ter um discurso afinado não significa bom relacionamento. O que é necessário para que uma equipe chegue a uma relação ideal?

O que eu disse é que o verdadeiro teste de uma EQUIPE não são os BONS SENTIMENTOS, mas o DESEMPENHO. Num hospital em funcionamento, geralmente existe uma aguda rivalidade entre as diversas áreas de conhecimento – o laboratório clínico, o setor de raios X, a fisioterapia etc. – e muitas brigas. Mas todos se unem para salvar um paciente realmente doente e todos têm um orgulho imenso pelo desempenho. “NÓS SALVAMOS AQUELA SENHORA QUE ENTROU EM ESTADO DE CHOQUE ONTEM À NOITE.” Todos, no hospital inteiro, ficam sabendo do fato às 9 horas da manhã e sentem um orgulho imenso pelo fato. Da mesma forma, existe uma rivalidade intensa e, na verdade, um grande rancor entre as diversas seções de uma boa orquestra – as cordas, os sopros – e, dentro dos sopros, entre as “madeiras” (por exemplo, flauta e clarinete) e os “metais” (por exemplo, trompetes e trombones). Mas há um imenso orgulho pelo desempenho. Todos ficam radiantes depois de um concerto, quando a orquestra sente que “se superou”. E não há nenhuma instituição onde as relações pessoais entre os principais realizadores sejam piores do que numa universidade de primeira linha – a mesquinhez e a maldade dos membros de uma grande universidade são inacreditáveis. Mas essas mesmas pessoas têm um enorme orgulho pela reputação da universidade, e quando um dos seus colegas obtém um grande reconhecimento – por exemplo, o Prêmio Nobel – a faculdade inteira brilha e considera aquilo “sua honra”. O mesmo vale para equipes esportivas. Já trabalhei bastante com times americanos de beisebol – um dos tipos mais interessantes de organização e, em termos administrativos, único. Não conheço nenhuma outra organização onde haja mais inveja, rixas e intrigas – no beisebol (ao contrário do futebol americano) é o jogador individual que marca pontos e, freqüentemente, faz suas jogadas, em detrimento dos companheiros de time (nesse aspecto, o beisebol é um caso único). Mas, se o time VENCE, a vitória é de todos. As equipes têm de ser organizadas para o desempenho, e esse é um dos motivos pelos quais é tão crucial e importante que cada equipe defina claramente que RESULTADOS está buscando.