5 empresas investigadas pela Justiça – e por quê

Oi é a mais recente a chamar a atenção das autoridades

São Paulo – Nos últimos seis meses, uma série de empresas passou a ser alvo de investigações por motivos que vão desde suas condutas na maneira de contratar e gerir funcionários até o acerto de contas com o governo e prestação de contas com acionistas.

EXAME.com listou algumas delas, começando pelo caso mais recente da Oi, anunciado nesta terça-feira. Veja algumas empresas que precisam prestar contas à Justiça.

Oi: prática ilegal de comércio

A Secretaria de Direito Econômico, braço antitruste do Ministério da Justiça, investiga desde a terça-feira supostas infrações nos call centers das empresas Telemar Norte Leste SA, Telemar Internet Ltda, Brasil Telecom SA e a BRT Servicos de Internet SA, do Grupo Oi. A suspeita é de que as companhias estejam usando seus call centers para promover suas próprias provedoras de serviços de internet sem mencionar os produtos dos concorrentes.

Foxconn: práticas trabalhistas questionáveis

Desde o dia 13 de fevereiro, uma auditoria voluntária feita por especialistas da Associação de Justiça Trabalhista investiga as políticas e práticas trabalhistas da empresa taiwanesa. Feita a pedido da Apple, a revisão está sendo feita nas fábricas da Foxconn em Shenzhen e Chengdu, na China – as informações foram confirmadas pela companhia hoje.

Com mais de 1 milhão de funcionários na China, a Foxconn já registrou mais de 20 casos de suicídios de funcionários em dois anos e sofre de acusações de abusos trabalhistas. No início do mês, cerca de 150 empregados da fábrica de Wuhan, na China, ameaçaram saltar da cobertura, no que seria um suicídio coletivo.


Avon: suspeita de corrupção

A Avon é, desde novembro, alvo de duas investigações da SEC, o equivalente americano à CVM brasileira. Na primeira, a Avon é suspeita de manter contatos irregulares com corretoras de valores, analistas e líderes do mercado financeiro entre 2010 e 2011. A SEC apura, agora, se os contatos violaram a chamada Regulation FD, uma lei que tenta impedir casos de informação privilegiada.

No outro processo, a Avon é suspeita de violar outra lei americana, a Foreign Corrupt Practices Act, que proíbe empresas com papéis listados em bolsas americanas de praticar atos de corrupção. Neste caso, o alvo é supostos subornos pagos a autoridades chinesas.

Sadia: trabalho escravo

As condições de trabalho de duas fábricas da Sadia (BR Fodds), no Paraná, são alvo de uma investigação de trabalho escravo de estrangeiros pelo Ministério Público do Trabalho (MPT). A unidade terceirizada pela empresa na cidade de Samambaia, no Distrito Federal, também sofreu denúncias de trabalhadores muçulmanos, contratados para o abate halal, vendidas a seguidores do islã.

Uma das denúncias foi feita por um jovem afegão que trabalhou em uma prestadora de serviços da Sadia. Segundo ele, seu emprego consistia em degolar com uma faca 75 frangos por minuto pelo método halal, selo requerido pelos países de maioria islâmica que importam a carne brasileira.

A cada degola a frase “Em nome de Deus, Deus é maior!” (Bismillah Allahu Akbar, em árabe) deveria ser pronunciada. O salário de 700 reais mais condições insalubres de trabalho fizeram que com a Sadia entrasse na lista de empresas investigadas pelo Ministério.

Zara: trabalho escravo

Até agosto, a imagem da varejista espanhola Zara no Brasil se restringia à de uma fabricante de roupas transadas de fama internacional. Até que um de seus fornecedores foi autuado por manter trabalhadores em regime de escravidão em duas confecções localizadas na capital paulista.

O vídeo com a blitz do Ministério Público nas confecções virou hit na internet – e a Zara, antes queridinhas dos consumidores, viu sua imagem ruir. Da negativa de que tivesse algo com o problema à promessa de resolvê-lo, a empresa passou por vários estágios – mas ainda não se livrou da imagem de que anda com quem não deve.