5 companhias brasileiras que sabem formar bons líderes

Como a Natura, Petrobras, Renner, Vale e Dasa estão preparando seus futuros gestores, segundo os especialistas

São Paulo – À medida que a economia brasileira cresce, muitas companhias pegam carona e expandem também. O efeito dominó é positivo, mas o desenvolvimento acelerado de algumas companhias no Brasil tem gerado um grande gargalo no mercado: a falta de profissionais gabaritados para assumirem cargos de liderança.

A dificuldade de encontrar pessoas preparadas tem forçado cada vez mais as companhias a investir na formação de seus futuros líderes. A Natura, por exemplo, figura como a 13ª maior formadora de líderes do mundo, segundo ranking da revista Fortune, publicado em novembro do ano passado, e desenvolve uma série de ações nesse sentindo.

“Essa preocupação sempre existiu dentro da maioria das empresas brasileiras, mas de uns seis anos para cá, vem se intensificando. E o resultado é positivo, pois além de conseguir reter talentos, as companhias constroem um ambiente sólido e fértil”, afirmou Anderson Sant’Anna, da Fundação Dom Cabral.

Para a professora do núcleo de gestão de pessoas da ESPM, Fátima Motta, é absolutamente fundamental que as empresas desenvolvam estratégias para formar seus líderes. “Pois são eles que conduzem as equipes a um resultado positivo e mantêm os valores de uma companhia”, afirmou a especialista.

Especialistas ouvidos por EXAME.com indicaram cinco empresas que, na sua avaliação, sabem formar bons líderes. Veja, abaixo, como elas estão preparando seus futuros chefes:

Natura

Em um ranking global elaborado pela revista Fortune, em 2011, a Natura é apontada como a 13ª maior formadora de líderes do mundo.

Desde 2007, foi criado dentro da empresa um programa de formação de líderes e a maior preocupação da ação é manter vivo o DNA da companhia.


“Com a ação, queremos reter talentos, manter profissionais engajados e principalmente que tenham valores pessoais alinhados com os valores da companhia”, afirmou Marcelo Madarász, responsável pela área de desenvolvimento de lideranças relações e times da empresa.

Segundo ele, desde que foi criado o programa, alguns projetos foram executados e resultados práticos, obtidos. “O mais recente, criado há um ano e denominado Cosmo, foi desenvolvido para 225 funcionários Natura, sendo 50% deles profissionais indicados para fazer parte do plano de sucessão da companhia”, disse Madarász.

O processo é composto por quatro ciclos e tem como principal foco garantir o interesse dos funcionários em acelerar a carreira e o desenvolvimento de liderança. Os profissionais participam de diferentes aulas com os especialistas mais gabaritados do mercado, de assuntos diversos, como sustentabilidade a gestão de pessoas.

“Dez turmas foram formadas; seis delas já concluíram o  primeiro ciclo e já pudemos observar resultados concretos, como gestores mais engajados com suas equipes”, afirmou Madarász.

Vale

No ano passado, a Vale investiu 73,9 milhões de dólares em educação e cerca de 2200 líderes estiverem envolvidos em treinamentos com foco em gestão e liderança.

Segundo Desiê Ribeiro, gerente geral de educação e desenvolvimento de pessoas da mineradora, a Vale sempre teve como foco o desenvolvimento de pessoas, mas o crescimento acelerado da companhia fez com que a demanda por formação de líderes aumentasse dentro da companhia.

“Não encontramos profissionais prontos no mercado. Precisamos de pessoas bem formadas em determinadas áreas, difíceis de encontrar no mercado”, afirmou Desiê.

Em 2011, 15 cursos foram destinados aos funcionários para desenvolver suas lideranças. Entre eles, um programa de gestão em negócios destinados a 31 gerentes que foram reconhecidos como possíveis sucessores da companhia.


A pós-graduação foi desenvolvida pela Valer, a área de Educação da Vale, e é realizado em parceria com a Universidade Federal de Ouro Preto e a Fundação Dom Cabral. O curso começou em abril de 2011 e tem duração de 16 meses.

De acordo com Desiê, é a partir de ações como essa, que a companhia consegue acelerar as carreiras dos empregados, reter os talentos e aumentar a produtividade.

Renner

Na Renner, o plano para formar futuros líderes da companhia a começa a partir do estágio de trainee. “Temos como premissa priorizar as pratas da casa, pois só assim conseguimos perpetuar a cultura e os valores da companhia”, afirmou Clarice Martins Costa, diretora de recursos humanos da varejista.

“Queremos ter os melhores profissionais e, desde 1996, temos programas para o desenvolvimento de líderes. Hoje, mais de 80% dos cargos de lideranças da companhia são ocupados por profissionais formados dentro da casa”, afirmou a executiva.

A varejista mantém uma universidade para a formação de seus profissionais, além de parcerias com conceituadas instituições de ensino, como a Fundação Getúlio Vargas. Anualmente, 30 vagas são destinadas para profissionais com nível gerencial.

Além disso, na Universidade Renner, os professores são os atuais líderes da varejista. “Os diretores e até o presidente precisam cumprir uma determinada quantia de horas-aulas por ano. É nossa responsabilidade a formação dos nossos futuros líderes”, disse Clarice.

Dasa

Há pouco mais de um ano, a Dasa, dona dos laboratórios Delboni Auriemo e Lavousier, decidiu focar com mais empenho na formação de seus líderes e criou o programa de desenvolvimento de liderança (PDL).

“A Dasa nasceu a partir da fusão de muitas empresas, com culturas e gestões diferentes. Por isso, sentimos a necessidade de criar a nossa própria cultura organizacional e o primeiro passo para se atingir isso consiste no desenvolvimento de talentos”, disse Marcelo Rucker, diretor de gente e gestão da Dasa.


Desde o início do ano passado, um programa piloto foi colocado em prática com o objetivo de ensinar aos selecionados o conceito de liderança. Nesse primeiro momento, pelo menos 600 pessoas foram envolvidas no treinamento.“Há muitos livros que defendem que líderes já nascem líderes. Na Dasa, temos a certeza de que é possível formar bons líderes”, afirmou Rucker.

Segundo ele, o treinamento, apesar de ter sido introduzido na companhia há pouco tempo, já surtiu efeitos práticos.

“Havia uma rotatividade muito grande nos cargos gerenciais da companhia. Hoje, conseguimos reter esses talentos, pois o próprio funcionário percebe que existe uma preocupação com seu desenvolvimento”. afirmou o executivo.

A Dasa também vem diminuindo a necessidade de mesclar o seu corpo de executivos com profissionais do mercado. “Tínhamos muita reclamação nesse sentindo, mas nossos profissionais estão cada vez mais preparados e alinhados com a cultura da companhia para participar do plano de sucessão”, disse.

Petrobras

Os funcionários da Petrobras só ingressam na companhia por meio de concurso público, mas, mesmo assim, a maior companhia brasileira possui a preocupação de formar seus líderes e oferecer um programa de sucessão gerencial.

Em 2011, a companhia envolveu 2.600 funcionários no treinamento de desenvolvimento gerencial, oferecido pela própria universidade da estatal. O programa visa formar as lideranças que a companhia vai precisar para 2020.

Outro desafio da companhia é formar, até 2015, novos empregados para assumir cargos gerenciais. Atualmente, a Petrobras possui cerca de 6.000 gerentes, que estão envolvidos no programa de sucessão da companhia.

Segundo a Petrobras, o objetivo estratégico do programa é ter sempre gestores preparados para sustentar a empresa. “O suporte ao papel gerencial, o alinhamento entre as expectativas e os interesses pessoais e os objetivos organizacionais, a disciplina de capital e foco em resultados e o desenvolvimento em gestão estão entre os principais benefícios da ação”, disse a companhia, em nota.