'Negociar comacionistas é maisdifícil do que com credores'

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Leia as demais questões respondidas por Antonio C. Alvarez, sócio da mais conhecida companhia americana de reestruturação:

EXAME – Por que as empresas aéreas de baixo custo têm tantas vantagens?

Antonio C. Alvarez – Quando olhamos o setor, percebemos que o que a grande maioria dos passageiros quer é um serviço de transporte eficiente. O cliente quer que a companhia aérea o leve para onde ele quer ir em um horário razoável e com segurança. Cerca de 80% dos clientes não faz questão de luxo, pelo menos em viagens curtas, que são o principal nicho das empresas de baixo custo.
EXAME – E no caso das empresas internacionais?

Alvarez – A proporção muda um pouco. Não muito, só um pouco. Digamos que, em uma viagem de longa distância, 70% dos clientes não faz questão de luxo. É um percentual apenas um pouco menor do que nas empresas de baixo custo.

EXAME – Luxo, então, é dispensável em transporte aéreo?

Alvarez – Para a grande maioria, sim. Claro, sempre haverá espaço para empresas que operem em nichos específicos. Há algumas companhias, nos Estados Unidos que cobram mil dólares por uma passagem que custa a metade disso em uma empresa de baixo custo. Mas essas empresas têm pequena escala, levam celebridades e artistas de Hollywood, e vendem basicamente sofisticação. Sua intenção não é competir com as empresas tradicionais, que vão continuar com problemas.

EXAME – Qual é a negociação mais difícil em um processo de recuperação de uma empresa?

Alvarez – Costuma ser com os acionistas da empresa, que precisam tomar a decisão de fazer mudanças em algo que foi construído há muito tempo.

EXAME – E os credores?

Alvarez – É uma negociação mais fácil. Muitas vezes, só o fato de você afastar o acionista controlador e trocar os executivos da empresa basta para recuperar o crédito bancário.