Xi visita Putin em resposta às sanções de Donald Trump

No Reino Unido, o presidente americano prometeu um grande acordo comercial com o país, no caso de o Brexit ser consolidade

Em meio a uma guerra comercial com os Estados Unidos de Donald Trump, a China segue buscando novos aliados no comércio e na política internacional. Nesta quarta-feira o presidente chinês Xi Jinping visita Vladimir Putin, outro alvo de sanções e críticas da Casa Branca. Xi fará uma visita de três dia à Rússia, num roteiro que tem como ponto alto a participação de um tradicional fórum econômico.

O fórum será boicotado pela diplomacia americana e pelas principais empresas do país, reforçando o clima de animosidade entre Rússia e Estados Unidos. A diplomacia chinesa, por sua vez, enviou comunicado ressaltando a importância da aproximação com a Rússia em tempos de aumento do “unilateralismo”. Os dois países devem divulgar um documento conjunto denunciando “a hegemonia dominante do sistema internacional”, numa crítica às sanções americanas.

Xi e Putin devem assinar ainda acordos comerciais em áreas como agricultura, finanças, tecnologia e comércio eletrônico. São acordos que colocam automaticamente a Rússia como um grande mercado potencial para smartphones e para a tecnologia 5G de gigantes chinesas de tecnologia, como a Huawei, alvo de boicotes do governo americano. Os dois países devem ainda selar a construção de uma ponte ligando seus territórios com inauguração prevista para o fim do ano, assim como encaminhar condições para fechar negócios com pagamento em moeda que fuja da hegemonia do dólar.

Rússia e China se aproximaram definitivamente em 2014, depois que Estados Unidos e Europa impuseram sanções em resposta à anexação da Crimeia. Para Putin, a China é vista como uma oportunidade de negociar petróleo, gás e recursos naturais. Para a China, a Rússia é não só um mercado consumidor, como uma porta de entrada para a Europa e a Ásia. Xi Jinping já fechou acordos estratégicos até com a Itália em sua investida para recriar a histórica rota da seda.

Enquanto isso, Trump segue no Reino Unido, numa agenda que mira o passado, com encontros e negociações com a primeira-ministra demissionária, Theresa May. Ontem, ele prometeu um grande acordo comercial com o país, no caso de o Brexit ser consolidado. Os Estados Unidos ainda anunciaram ontem novas restrições comerciais a Cuba. Numa semana com jeitão de volta à Guerra Fria, quem busca isolamento, neste 2019, são americanos e britânicos.