Xi Jinping tem consenso entre as facções comunistas

De personalidade aberta e seguro de si, o recém-confirmado presidente da China soube fazer carreira nas províncias, longe do centro de poder em Pequim

Pequim – Xi Jinping, eleito sem surpresa nesta quinta-feira o novo presidente da China – cargo ao qual estava destinado após ascender ao Comitê Central do Partido Comunista (PCCh) em novembro de 2012 -, é um nome de consenso entre as facções de poder, a quem soube agradar.

Alto, de personalidade aberta e seguro de si, soube fazer carreira nas províncias, longe do centro de poder em Pequim, e criou para si mesmo uma imagem de pragmático, capaz de resolver problemas difíceis, e também discreto, a ponto de ser mais conhecido por ser casado com Peng Liyuan, uma famosa cantora chinesa.

Em seus contatos com o exterior, deixou a impressão de ser um homem com quem se pode dialogar.

Embora Xi ainda não tenha dado pistas sobre como planeja governar a China, há indícios de que seu estilo de comando será diferente do escolhido pelo tecnocrata Hu Jintao.

Nos cinco meses passados desde que sucedeu a Hu como líder máximo do Partido Comunista, mostrou seu lado mais familiar, por exemplo, ao publicar na imprensa oficial fotos suas quando jovem e ao lado de seus parentes (na China é raro ver os líderes fora das cenas oficiais).

Os analistas destacam também que, ao contrário de Hu Jintao – de quem não se sabe com segurança dados básicos como seu local de nascimento -, vários detalhes biográficos do novo líder já são conhecidos, entre eles o seu gosto pelos filmes de ação de Hollywood e até sua ausência no nascimento de sua filha, Xi Mingze, por motivos de trabalho.

Nascido em Pequim em 1953, Xi é um dos “principezinhos”, ou seja, filho de uma família de altos dirigentes do regime. Seu pai, Xi Zhongxun, foi um dos fundadores do PCCh.


Em 1962, porém, a sorte familiar daria uma reviravolta, quando Xi Zhongxun, então vice-primeiro-ministro, caiu em desgraça e acabou preso. Seu filho, como ocorreu com outros tantos jovens durante a Revolução Cultural, foi enviado ao campo, à província de Shaanxi, no norte do país, para reeducar-se e “aprender com a massa”.

A solidão que ali viveu e o duro trabalho físico fizeram-no criticar a Revolução Cultural. Mas, ao mesmo tempo, decidiu durante sua etapa em Shaanxi “sobreviver sendo mais vermelho do que todos”.

Em seu retorno a Pequim, estudou Engenharia Química na Universidade de Tsinghua. Em 1974, tornou-se membro do PCCh, que o transferiu à província de Hebei na condição de secretário local da formação.

Durante os anos 80, visitou o estado agrícola de Iowa, nos Estados Unidos, uma viagem que reviveria um quarto de século depois, em sua primeira visita oficial como vice-presidente chinês à maior potência do mundo.

Depois de Hebei, foi promovido a postos de cada vez maior relevância nas províncias de Fujian e Zhejiang, na próspera costa leste do país.


Em Fujian, Xi, divorciado de sua primeira esposa, Ke Lingling, com quem foi casado por três anos, conheceu Peng, já então uma cantora de renome e com quem contraiu matrimônio em 1987. Sua filha, Xi Mingze, estuda na Universidade de Harvard sob um pseudônimo, segundo a imprensa americana.

Em 2007, foi nomeado secretário do PCCh em Xangai, a segunda maior cidade do país, depois que seu antecessor, Chen Liangyu, foi destituído por corrupção.

Nesse mesmo ano, passou a fazer parte do Comitê Permanente do Politburo, o principal órgão do Partido. Um ano depois se tornou vice-presidente.

Xi permanecerá à frente do país nos próximos dez anos, uma etapa primordial na qual se espera que a China passe a ser a primeira economia mundial.