Xi Jinping em Mar-a-Lago

O presidente americano Donald Trump recebe hoje o líder chinês Xi Jinping em seu resort Mar-a-Lago, na Flórida, considerado a “Casa Branca de Inverno”. O movimento é uma tática dos americanos para quebrar o gelo com os chineses, acostumados a encontros mais oficialescos e cheios de simbolismo diplomático. Levar o encontro para o resort deve suavizar a pauta da reunião, em que Trump e Xi estão dos lados opostos da agenda política.

O medo de ambos os lados é que as conversas desandem principalmente em dois temas: trocas comerciais e Coreia do Norte. Trump deve pedir por embargos econômicos na Coreia — que tem 90% de suas trocas comerciais com a China — diante do crescimento nuclear do país. Os chineses, por outro lado, são conhecidos apoiadores e financiadores dos norte-coreanos, fazendo vistas grossas às tentativas balísticas e nucleares do vizinho.

Quanto ao comércio, Trump praguejou contra as exportações e a economia chinesas durante a campanha — virou até piada, com montagens que mostram ele falando “China, China, China” durante horas a fio. Junto de seus assessores econômicos, ele defende uma política internacional que, segundo muitos analistas, pode causar, no limite, uma guerra comercial com a China. Xi deve ignorar as acusações do presidente de que a China manipula sua moeda e rouba empregos dos americanos.

Xi tem um perfil discreto e é conhecido pelas maneiras diplomáticas quase que coreografadas. Ele deve oferecer vagas seguranças a Trump sobre os assuntos mais polêmicos da conversa, já que também precisa provar aos chineses que é capaz de lidar com Trump, coisa que até mesmo alguns aliados do partido republicano têm achado difícil de fazer.

Eles podem parecer diferentes nas suas maneiras, mas ambos são líderes que tentam colocar seu país em primeiro lugar com suas respectivas políticas. Um teme pode esquentar as conversas sobre o papel de cada país na geopolítica global é o recente ataque com armas químicas na Síria. A China tradicionalmente vetou sanções contra o regime do ditador Bashar al-Assad. Os Estados Unidos disseram ontem que estão prontos para “agir por conta própria”. Xi vinha aproveitando o vácuo deixado por Trump para ganhar terreno nas geopolítica global.

Como a Síria muda a balança de forças entre os países é apenas uma das questões que precisam ser respondidas. Em uma reunião de iguais tão diferentes, aproveitar o resort e jogar golfe está no fim da lista de prioridades.