WikiLeaks divulga o mapa global da indústria de espionagem

Sistema em massa é usado por governos de 25 países para averiguar telefones celulares, computadores e também perfis de redes sociais

São Paulo – O site WikiLeaks divulgou uma série de arquivos que expõem o sistema da indústria de espionagem no mundo e que é utilizado por governos de 25 nações, incluindo o Brasil. No total, são 287 documentos que revelam como as informações são obtidas por meio de telefones celulares, computadores e também perfis de redes sociais, por intermédio de 160 empresas de inteligência.

Os documentos – folhetos, manuais, catálogos e outras informações – chegaram até o WikiLeaks por meio de parcerias com outras organizações, incluindo o jornal americano Washington Post. “É uma indústria secreta que tem crescido desde 11 de setembro de 2011 e que vale bilhões de dólares por ano”, destaca o comunicado. 

O site revela que o levantamento foi chamado de projeto Spy Files (arquivos espiões) e que mais informações serão publicadas sobre esse tipo de espionagem ainda nesta semana e também no próximo ano.

“É uma indústria que, na prática, não é regulamentada. Agências de inteligência, forças militares e autoridades policiais são capazes de interceptar ligações e controlar computadores – de forma silenciosa, em massa e secretamente – sem a ajuda ou conhecimento das companhias de telecomunicações”, informa o WikiLeaks.

“A localização física dos usuários pode ser rastreada por um telefone celular, mesmo que o aparelho esteja em stand by”, completa.

O site destaca ainda a existência de empresas que vendem equipamentos de espionagem em massa para agências de inteligência. “Companhias de inteligência como a VasTech vendem secretamente equipamentos que registram de forma permanente chamadas telefônicas de nações inteiras”, revela o documento.

O mapa ilustrativo abaixo mostra os países que estão envolvidos com cada tipo de espionagem e as empresas que atuam nesta indústria:

WikiLeaks

Histórico

Em outubro, o WikiLeaks anunciou que suspenderia temporariamente suas publicações por conta da “falta de recursos”.

Após a divulgação de uma série de documentos confidenciais sobre os Estados Unidos no final de 2010, as doações financeiras para o site foram paralisadas por um bloqueio financeiro aprovado pelo Bank of America, Visa, MasterCard, Paypal e Western Union.