Washington pede por cooperação no Egito

Esta declaração foi feita após o afastamento do marechal Tantawi e da anulação das prerrogativas políticas assumidas pelos militares, o que fortaleceu o presidente Mursi

No avião – Os Estados Unidos pediram nesta segunda-feira que os militares e o governo trabalhem juntos no Egito, após a aposentadoria do poderoso ministro da Defesa e chefe do Exército, o marechal Hussein Tantawi, pelo presidente Mohamed Mursi.

“É importante que os militares e os civis trabalhem em conjunto para resolver os desafios econômicos e de segurança que o Egito enfrenta”, disse o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, acrescentando: “Esperamos que o anúncio do presidente Mursi vá beneficiar o povo egípcio”.

Esta declaração foi feita após o afastamento do marechal Tantawi e da anulação das prerrogativas políticas assumidas pelos militares, o que fortaleceu o presidente egípcio.

A imprensa egípcia descreveu como “revolucionárias” essas decisões, enquanto alguns meios de comunicação estão preocupados em ver Mursi, da Irmandade Muçulmana, concentrar o poder em suas mãos.

Tantawi foi substituído por Abdel Fattah al-Sissi, já conhecido pelos Estados Unidos por causa de suas funções anteriores. Sua nomeação é bem-vinda, declarou Jay Carney.

“Nós esperamos que o presidente Mursi entre em coordenação com os militares para nomear uma nova equipe para o Ministério da Defesa e vamos continuar a trabalhar com os líderes civis e militares do Egito para avançar sobre os diversos pontos de interesse” , retomou o porta-voz da Casa Branca.

Esta reviravolta dramática acontece enquanto, no plano da segurança, o Egito enfrenta uma grave crise no Sinai, onde 16 de seus guardas fronteiriços foram mortos em 5 de agosto, perto da fronteira com Israel e a Faixa Gaza. O Exército egípcio vem realizando uma grande ofensiva contra os “elementos terroristas” na península.

Mursi, de fato, acabou com a tutela imposta pelo Conselho Supremo das Forças Armadas (CSFA). Este órgão tinha atribuído para si o Poder Legislativo em junho, logo após a dissolução da Assembleia dominada pelos islamitas, o que limitava consideravelmente a margem de manobra do presidente eleito.