Wada é instrumento de manipulação, diz Comitê Olímpico russo

"As atividades não são transparentes. Muitas decisões são tomadas nos bastidores e isso acaba virando um instrumento de manipulação", diz a organização

O presidente do Comitê Olímpico Russo (ROC), Alexandre Jukov, voltou a criticar a Agência Mundial Antidoping (Wada) ao chamá-la de “instrumento de manipulação”, em meio a uma reforma que deve dar mais poder à entidade.

“As atividades da Wada não são transparentes. Muitas decisões são tomadas nos bastidores e isso acaba virando um instrumento de manipulação, principalmente de manipulação política”, afirmou o dirigente em comunicado enviado à AFP.

Jukov estava na segunda-feira em Lausanne para participar de uma reunião de representantes do movimento olímpico, para “preparar as próximas reuniões da Wada”, como explicou o Comitê Olímpico Internacional (COI).

O ROC pediu para ser “ouvido para esclarecer a situação na Rússia depois da suspensão da Agência antidoping russa (Rusada) e e seu laboratório antidoping”, ressaltou o COI.

Para Jukov, “a Rusada e seu laboratório sempre estiveram sob controle total e permanente da Wada”. O dirigente ainda alega que a suspensão “coloca em perigo a participação de atletas russos nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de inverno de Pyeongchang-2018”.

A Rússia não pôde contar com quase um terço da sua delegação nos Jogos do Rio-2016, por causa de medidas tomadas pelo COI depois de o país ser acusado de doping organizado em um relatório da Wada.

Jukov fez questão de salientar que o governo russo está “reforçando a luta contra o doping”, citando uma lei que considera como crime o fato de forçar um atleta e tomar produtos proibidos.

As críticas contra a Wada acontecem em um momento em que as regras da luta antidoping estão sendo redefinidas pelo COI.

Em outubro, o Comitê Internacional pediu para que a entidade crie uma estrutura independente para realizar todos os exames, tirando a responsabilidade das federações internacionais de cada esporte.

A Wada se reunirá no fim de novembro em Glasgow, na Escócia, para iniciar o processo das reformas.