Volta de refugiados da Turquia para cidade síria é suspensa

As forças curdas consideram a Turquia responsável pela situação, pois desde que o Estado Islâmico se retirou de Tall Abyad, os turcos fecharam a fronteira

Akçakale – A fronteira entre Turquia e Síria foi fechada nesta quinta-feira aos refugiados que querem retornar à cidade síria de Tall Abyad, ocupada pelas forças curdas que expulsaram os jihadistas do grupo Estado Islâmico (EI).

Um oficial turco explicou à AFP que o posto fronteiriço de Akçakale (sul) havia fechado porque as Unidades de Proteção do Povo (YPG) curdas, que controlam o lado sírio da fronteira, havia decidido suspender todo o tráfego até segunda-feira.

Mas um porta-voz das forças curdas desmentiu esta explicação, afirmando que o bloqueio era uma decisão das autoridades turcas.

Na quarta-feira, mil pessoas que haviam se refugiado na Turquia para escapar da batalha na cidade síria Tall Abyad voltaram as suas casas, afirmou uma fonte oficial turca.

Os combates provocaram um êxodo a solo turco de 23.000 pessoas desde o início de junho, segundo Ancara.

No entanto, nesta quinta-feira 200 pessoas permaneciam bloqueadas na fronteira.

“Viemos com a esperança de voltar a Tall Abyad. Esperamos aqui desde as 07h00 desta manhã, mas não nos deixam passar”, lamentou uma delas, Emin.

“Se tiverem um pouco de piedade, nos deixem passar”, acrescentou esta mulher de 60 anos, “é Ramadã, pelo amor de Deus!”.

O porta-voz do comando geral das YPG, Redur Khalil, considerou a Turquia responsável pela situação. “Do nosso lado, o posto fronteiriço está aberto. Desde que o Daesh (acrônimo em árabe do grupo Estado Islâmico) se retirou da cidade, os turcos fecharam a fronteira”, afirmou à AFP.

Este funcionário também explicou que os habitantes de Tall Abyad seguiam chegando por “caminhos não oficiais”.

As autoridades turcas se preocupam com a vitória dos curdos em Tall Abyad, e chegaram a acusá-los de fazer uma campanha de limpeza étnica contra os habitantes árabes da zona sob seu controle, ponto desmentido imediatamente pelas autoridades curdas sírias.

Ancara critica as YPG por sua relação com o PKK, partido curdo da Turquia considerado uma organização terrorista pelas autoridades turcas.