Vodafone envia por engano à polícia dados de jornalistas

Polícia britânica "obteve e analisou" informações telefônicas de mais de 1.700 funcionários da empresa News UK "enviadas por engano" pela gigante britânica

Londres – A polícia britânica “obteve e analisou” informações telefônicas de mais de 1.700 funcionários da empresa News UK, editora do jornal The Times, “enviadas por engano” pela gigante britânica das telecomunicações Vodafone, revelou nesta terça-feira o periódico britânico.

O The Times denunciou um “atentado importante à vida privada” dos trabalhadores da News UK horas antes da apresentação de um projeto de lei no Parlamento britânico, que busca especialmente ampliar a capacidade da polícia para acessar dados informáticos e telefônicos de pessoas suspeitas de realizar atividades vinculadas ao terrorismo.

Os dados enviados em março de 2014 eram de jornalistas, advogados, funcionários e dirigentes do grupo midiático, que publica The Times, The Sunday Times e The Sun. Estas informações abrangem de 2005 a 2007, acrescentou o jornal.

A Scotland Yard reagiu na noite desta terça-feira com um comunicado, no qual afirmou ter “devolvido estes dados telefônicos que a Vodafone enviou por engano”.

A polícia informou que estas informações foram recebidas no âmbito da operação Elveden, uma pesquisa sobre o suposto suborno de jornalistas a policiais e funcionários.

“Os investigadores da operação Elveden utilizaram os poderes previstos pela lei para pedir à Vodafone o detalhe das chamadas feitas por um jornalista da News International [nome anterior da News UK]”, acrescentou a polícia no comunicado.

No entanto, o The Times destacou que, embora a polícia soubesse que os dados foram transmitidos por engano, os “analisou, fez uma lista de chamadas feitas de 1.757 telefones e guardou estas informações durante sete meses, apesar dos pedidos de devolução”. A informação foi confirmada pela Vodafone.

“Desde que soubemos, no fim de setembro, que a Scotland Yard queria utilizar os dados transmitidos por engano, pedimos a destruição imediata destes dados”, indicou a Vodafone em um comunicado.

Dois organismos independentes, o Information Comissioner (ICO) e o Interception of Communications Commissioner’s Office (IOCCO), investigaram o caso, acrescentou o jornal britânico.

“Um funcionário da Vodafone pediu desculpas pessoalmente pelo que chamou de erro humano”, declarou o diretor executivo da News UK, Mike Darcey, que disse ter informado funcionários do grupo.