Vitória de Koizumi deve acelerar reformas no Japão

Votação maciça em parlamentares que apóiam o primeiro-ministro fortalece planos de privatização do governo japonês

A vitória esmagadora dos partidos aliados ao primeiro-ministro do Japão, Junichiro Koizumi, nas eleições deste domingo (11/9), pode ser o início de uma série de reformas profundas no país. Além de abrir caminho para a privatização dos serviços postais assunto que motivou a dissolução da câmara baixa do parlamento e a convocação das eleições , os reformadores desejam também rever os sistemas previdenciário e de saúde, que pressionam os gastos públicos japoneses.

Segundo a revista britânica The Economist, o resultado do pleito de ontem não deixa dúvidas sobre o desejo dos eleitores de promover mudanças no Estado japonês. O Partido Democrático Liberal (PDL), ao qual Koizumi é filiado, e seus aliados, como o New Komeito, legenda de base budista, ampliaram de 246 para 327 o número de cadeiras controladas na câmara baixa equivalente à Câmara dos Deputados no Brasil. Ao mesmo tempo, o Partido Democrático do Japão (PDJ), principal grupo de oposição, perdeu 64 dos 177 assentos que detinha. No total, a câmara baixa japonesa possui 480 lugares.

Para os especialistas, Koizumi saiu vitorioso do pleito de ontem em vários aspectos. O primeiro foi dissolver a oposição que existia em seu próprio partido PDL aos planos de privatizar os correios. No início de agosto, Koizumi dissolveu a câmara baixa, depois que a proposta foi derrotada com a ajuda de 37 membros do PDL. Na câmara alta que corresponde ao Senado 22 parlamentares de seu partido também recusaram o projeto.

Pela constituição japonesa, o primeiro-ministro tem poder apenas para dissolver a câmara baixa. A esmagadora vitória de candidatos que apóiam as privatizações, porém, serviu de alerta para os senadores, muitos dos quais já declararam que podem mudar de posição e apoiar as reformas.

Fundos

No centro da crise política que opôs Koizumi a membros do PDL está o controle dos correios. Além dos serviços corriqueiros de envio e recebimento de correspondência, a estatal japonesa também opera como instituição bancária. Suas 24 700 agências controlam cerca de 330 trilhões de ienes (cerca de 3 trilhões de dólares). A companhia também é a maior compradora de títulos públicos do governo, com uma carteira de 200 trilhões de ienes. Segundo The Economist, trata-se da maior instituição financeira do mundo.

Koizumi deseja transferir a empresa para a iniciativa privada, alegando, entre outros argumentos, que os fundos, em mãos estatais, estão sujeitos à manipulação política e à falta de transparência. Nos próximos meses, o primeiro-ministro deve reenviar o projeto para votação. Pelas leis do país, mesmo que ele seja novamente derrotado no Senado, a câmara baixa terá poder de reverter a decisão, já que, agora, o governo controla mais de dois terços das cadeiras.