Vítimas de Bill Cosby posam para capa da ‘New York’

Revista New York reuniu 35 vítimas que foram agredidas sexualmente pelo comediante

Quantas são? Quem são exatamente? Após meses de acusações contra o comediante Bill Cosby, a revista New York conseguiu reunir 35 de suas supostas vítimas, dando a palavra a estas mulheres, que acusam o ex-astro de televisão de tê-las drogado e agredido sexualmente.

Algumas das acusações datam dos anos 1960; as mais recentes, dos anos 2000. As 35 mulheres, fotografadas na capa da revista, eram na época modelos, meninas, atrizes no início de carreira, posavam para a revista Playboy, etc.

Muitas permaneceram em silêncio sobre os supostos crimes durante anos.

“Poderia ter caminhado por qualquer rua de Manhattan e dito em qualquer lugar: ‘Fui estuprada e drogada por Bill Cosby‘, mas alguém no mundo teria acreditado?”, explica à revista Barbara Bowman, de 48 anos, que conheceu Cosby nos anos 1980, quando tinha 17 anos e tentava se tornar atriz.

Outra contou que sofria uma forte dor de cabeça e perguntou a Cosby se ele tinha um analgésico. “Ele respondeu: ‘Tenho algo muito mais forte’. E eu disse a ele: ‘Sabe, não uso drogas’. Ele respondeu: ‘Você é uma das minhas melhores amigas, acha que vou te prejudicar?’. E acreditei nele”, explicou Joyce Emmons, de 70 anos, que trabalhava em clubes de espetáculo e afirma ter sido agredida por ele no fim dos anos 1970.

“Me perguntou se queria um copo de vinho. Bebi uns goles. Tinha um gosto horrível. E comecei a me sentir mal”, contou também Jewel Allison, de 52 anos, ex-modelo, que afirmou ter sido agredida no fim dos anos 1980. Ela acrescentou que tinha muito medo na época para denunciá-lo.

O site da revista New York não estava acessível na manhã desta segunda-feira, ao que parece vítima de um ataque de hackers. A revista, que afirmou que um total de 46 vítimas haviam dado seu testemunho, resolveu publicar no Instagram alguns deles.

Cosby, de 78 anos, nega as acusações de agressão sexual e nunca foi acusado.

Em uma declaração em 2005, no âmbito de uma demanda que terminou mediante um acordo financeiro, reconheceu que havia dado um poderoso sedativo a ao menos uma jovem com quem buscava manter relações sexuais.

Esta declaração se tornou pública há pouco tempo, o que reavivou o escândalo. Mas sua advogada contra-atacou. Cosby “só admitiu que foi uma das muitas pessoas que nos anos 70 usou o Quaalude para manter relações sexuais consensuais”, declarou Monique Pressley em um documento judicial.

Cosby era considerado uma lenda do humor televisivo americano e um símbolo da luta contra o preconceito racial, além de representar a imagem do pai de família perfeito.

Sua sitcom, “The Cosby Show”, marcou as décadas de 80 e 90 e foi sucesso de audiência absoluto.