Vice-premiê da Irlanda renuncia para evitar novas eleições

Renúncia evita a queda do governo e a convocação de eleições gerais antecipadas em dezembro

Dublin – A vice-primeira-ministra irlandesa, Frances Fitzgerald, renunciou ao cargo nesta terça-feira devido à moção de censura apresentada pela oposição por sua gestão em um caso de corrupção policial, o que evita a queda do governo e a convocação de eleições gerais antecipadas em dezembro.

Um porta-voz oficial confirmou que o primeiro-ministro, o democrata-cristão Leo Varadkar, comunicou ao líder do centrista Fianna Fáil (FF), Michéal Martin, que aceitou a saída de sua “número dois”, que ocupou a pasta de Justiça e Interior entre 2014 e 2016.

Fitzgerald cedeu assim à pressão exercida pela oposição, que com essa manobra retirava seu apoio ao Executivo de Dublin, que governa em minoria desde 2016 com um grupo de deputados independentes.

Ambos partidos assinaram então um acordo de “confiança e facilitação”, pelo qual o FF se comprometeu a não apresentar moções de censura contra os ministros e a apoiar o governo em, pelo menos, três votações de orçamento geral e outras relativas a questões de interesse nacional.

A Câmara de Dublin, chamada de Dáil, pretendia debater e votar esta noite o texto da oposição, que, se fosse aprovado, teria obrigado o “Taoiseach” (primeiro-ministro) a dissolver o parlamento e convocar novos pleitos no final de dezembro, em um momento político crítico para seu Executivo.

A Irlanda está imersa, junto com seus sócios comunitários, nas conversas sobre a saída do Reino Unido da União Europeia (UE), que decidirá na cúpula de dezembro se este diálogo passará para sua segunda fase.

Nesta primeira rodada de negociação, Londres e os 27 países do bloco abordam questões relacionadas com os direitos dos cidadãos, a conta de saída que o Reino Unido deve pagar e o futuro da fronteira norte-irlandesa, fundamental para as economias das duas jurisdições da ilha da Irlanda e seu processo de paz.

O nacionalista Sinn Féin, terceira força nacional, também apresentou uma moção de censura contra Fitzgerald, o que tinha aumentado a pressão sobre a ex-ministra de Justiça para que abandonasse o cargo.