Valls se submete à aprovação do parlamento francês

Em meio à revolta socialista, o primeiro-ministro da França, Manuel Valls, submete o governo a uma votação de confiança

Paris – O primeiro-ministro da França, Manuel Valls, submete nesta terça-feira seu governo, saído da última remodelação do final de agosto, a uma votação de confiança marcada pelo vento de revolta em sua legenda, o Partido Socialista, que anuncia dificuldades para os ajustes e reformas estruturais que prometeu.

Valls, que foi nomeado à frente do Executivo em abril e decidiu tirar do gabinete no mês passado três ministros que tinham manifestado publicamente seu descontentamento com sua política, não deve ter problemas para levar adiante esta moção de confiança, pelo menos em termos numéricos.

Os deputados socialistas “revoltosos” que pediram a abstenção para demonstrar sua oposição ao giro liberal dado pelo primeiro-ministro não devem ser mais de 30, segundo as informações de dirigentes do partido.

Um número que seria suficiente para evitar a queda do governo ao término de uma sessão na Assembleia Nacional que começa às 15h locais (10h de Brasília) com um discurso no qual Valls deve reafirmar sua vontade de seguir adiante com aquela que foi a grande aposta do presidente socialista, François Hollande.

Trata-se do rebaixamento de 40 bilhões de euros nas cotações sociais das empresas para diminuir o custo da mão-de-obra, considerado um dos principais problemas de competitividade da economia francesa, principalmente em relação a seu principal parceiro comercial, a Alemanha.

Essa diminuição de cotações aconteceria por meio do corte do gasto público em 50 bilhões de euros nos três próximos anos, começando por 21 bilhões que devem constar no orçamento que o Executivo deve apresentar nas próximas semanas.

Um orçamento que, segundo admitiu na semana passada o ministro de Finanças, Michel Sapin, se baseará em hipóteses econômicas menos favoráveis que o contemplado até agora: a economia francesa só crescerá 0,4% este ano (em vez do 1% calculado anteriormente) e 1% em 2015 (e não 1,7%).

Tanto Hollande como Valls insistiram em que não irão mais longe que o corte de 21 bilhões de euros em 2014 e dos 50 bilhões em três anos, o que significa que a França descumprirá seu compromisso de colocar-se com um déficit inferior a 3% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2015, algo que agora Paris espera conseguir dois anos mais tarde.