União Européia precisa encontrar seu rumo após referendo francês

Apesar das pesquisas de opinião pública anteciparem amplamente o resultado do plebiscito na França, os líderes europeus não souberam como reagir

A rejeição francesa à constituição da União Européia foi enfática. Se a Carta que deveria reger o bloco econômico não é letra morta ainda, poderá se tornar nesta quarta-feira (01/06), o povo holandês também votar contra a constituição, no referendo que será realizado. Apesar de antecipado amplamente pelas pesquisas de opinião pública, os líderes europeus ainda não encontraram um rumo diante da onda do “não”.

Mas, segundo o americano The Wall Street Journal, achar uma solução para o impasse não é fácil. A União Européia está se debatendo entre duas direções. Os opositores franceses da constituição alegam que a Carta será uma espécie de autorização para que o capitalismo de estilo anglo-saxão se espalhe por todo o continente. Enquanto isso, os britânicos acreditam que, se aprovada, a constituição os forçará a adotar uma série de políticas sociais que poderão minar os progressos econômicos conseguidos nas últimas duas décadas.

À parte as divergências de cunho econômico, britânicos e franceses demonstram surpreendentes pontos em comum na avaliação da Carta, segundo The Wall Street Journal. Ambos rejeitam a burocracia embutida na constituição, sua falta de critérios para avaliar o retorno das políticas públicas e o modo como parece impor reformas controversas.

Para o jornal americano, o maior desafio dos líderes europeus, caso a constituição não sobreviva aos plebiscitos, será redigir um novo documento que estabeleça, de modo bastante simples, o papel da União Européia de assegure a democracia e garanta mecanismos efetivos para medir o resultados das políticas públicas