Europa: mais desunida que nunca?

Nesta sexta-feira, os países da União Europeia se reúnem em busca do sentimento perdido de união que dá nome ao bloco. O encontro acontece  em Bratislava, na Eslováquia, e será o primeiro sem o desgarrado Reino Unido. Em meio aos dilemas do Brexit e de uma divisão entre a Europa Ocidental e Oriental, talhada pela crise migratória, o objetivo é acalmar os ânimos e discutir a relação de forma “brutalmente honesta”, segundo o presidente do conselho europeu Donald Tusk.

Para Tusk, é preciso assumir que o Brexit é um sintoma de problemas no bloco, e não a causa. “Nós temos que mostrar para nossos cidadãos que aprendemos a lição e que estamos prontos para retomar a estabilidade”, afirmou. Nesta sexta, a expectativa é que os líderes de 27 países possam entrar em consenso sobre a segurança das fronteiras – para começar pela parte mais fácil – e discutam os próximos passos para conseguir retomar o controle sobre a globalização.

O clima é tão tenso entre os países membros que, na terça-feira 13, o ministro das relações exteriores de Luxemburgo pediu a expulsão da Hungria do bloco, pelo país ter construído muros para barrar a entrada de refugiados e estar tratando os imigrantes “pior do que a animais selvagens”. Na mesma toada da intolerância seguem Áustria, Polônia e a própria Eslováquia. Já a República Tcheca se dispôs a abrigar 120.000 pessoas e tenta se aproximar da postura da Europa ocidental.

Na próxima terça-feira 20, o mundo terá a oportunidade de discutir a crise de imigração na 71ª assembleia da ONU, em Nova York. O sonho de Donald Tusk é que, em março do ano que vem, em Roma, a União Europeia assine um acordo sobre as políticas migratórias. Seria ato para celebrar o aniversário de 60 anos do bloco. Por enquanto, é apenas um sonho distante.