União Européia erra ao limitar jornada de trabalho, diz FMI

Para o diretor-geral do Fundo Monetário Internacional, Rodrigo Rato, restringir a semana de trabalho contraria as tendências mundiais

A União Européia está cometendo um erro ao proibir que a jornada semanal de trabalho ultrapasse 48 horas. A advertência é de Rodrigo Rato, diretor-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), para quem a medida prejudica o crescimento econômico da região, além de colocá-la na contramão do que vem ocorrendo nos Estados Unidos e na Ásia. “Os europeus estão passando a mensagem errada ao mundo”, disse Rato ao americano The Wall Street Journal.

As críticas foram motivadas por uma votação do parlamento europeu, na qual se determinou que todos os países-membros do bloco econômico devem limitar a jornada semanal a 48 horas de trabalho. Para tanto, foram canceladas as exceções gozadas pela Inglaterra e alguns outros países, que lhes permitiam estabelecer cargas horárias superiores. O primeiro ministro britânico, Tony Blair, ainda se esforça para manter o regime de exceção, que é defendido também por algumas associações empresariais da Europa.

Para Rato, não é correto recorrer ao modelo de bem-estar social vigente no bloco, como fizeram os parlamentares europeus, para defender as 48 horas semanais. “Não sei que modelo eles [os parlamentares] estão defendendo, ao impedir que as pessoas produzam mais”, disse.