Um novo ano, o mesmo Donald Trump

Se o primeiro ano de Donald Trump na presidência americana já teve polêmicas o bastante, 2018 não deve ser muito mais calmo

Segundo o influente portal conservador americano Breitbart News, de acordo com pessoas próximas do presidente, devemos esperar um ano com “Trump total, fora das correntes”. Se o primeiro ano de Donald Trump na presidência americana já teve polêmicas o bastante — desde a investigação de aliança com os russos para interferir nas eleições até ameaças de destruição mútua com o ditador norte-coreano Kim Jong-un — 2018 não deve ser muito mais calmo.

Para começar, muitas das polêmicas do passado ainda devem voltar aos noticiários e também às falas do presidente: a investigação do FBI sobre a Rússia, dirigida pelo superintendente especial Robert Muller, deve se aprofundar; e o decreto que baniu habitantes de oito países de viajar para os Estados Unidos pode chegar a um julgamento da Suprema Corte.

A polêmica em torno do tratado nuclear firmado com o Irã em 2016, pelo então presidente Barack Obama, deve ser um dos primeiros assuntos do ano. Em outubro, Trump se recusou a recertificar o acordo, o que deixou margem para o Congresso resolver em 60 dias, algo que não fez. Se nada for feito até o meio de janeiro, os Estados Unidos podem voltar a impor sanções a Teerã. Os principais conselheiros de Trump são a favor da manutenção do acordo, mas o próprio presidente já afirmou que este foi o “pior tratado já assinado”.

Além das trincheiras do ano passado, há também novas batalhas. Devemos ouvir muito de Trump sobre as eleições de meio de mandato deste ano, que elegem um terço do Congresso e podem modificar a maioria republicana no legislativo. Depois de conseguir aprovar a reforma tributária, o presidente também deve tentar uma nova grande vitória com os legisladores ao tentar passar um pacote de investimentos, desta vez aprovado pelos dois partidos — uma promessa de campanha que prometia injetar 1 trilhão de dólares na infraestrutura norte-americana.

No dia 30 deste mês, ele também faz seu primeiro Discurso de Estado da União, uma tradicional fala do presidente aos americanos sobre como estão os trabalhos do governo.

Muitos esperaram por um “soft Trump” em 2017. Ele não veio apesar das acusações, dos 38% de aprovação, e da falta de união do partido republicano para aprovar pautas. Em 2018, assim como preveem seus aliados, Trump deve continuar sendo Trump.