Um menino e a sorte escolherão novo papa copta egípcio

Após três dias de jejum para pedir a ajuda divina, os coptas aguardam com esperança a escolha do sucessor de Shenuda III, que morreu em março

Cairo – Os cristãos egípcios conhecerão amanhã, domingo, o nome do 118º papa copta através de um processo bastante peculiar de eleição, protagonizado por um menino, que escolherá ao acaso o novo patriarca entre três candidatos finalistas, de acordo com a tradição da Igreja.

Após três dias de jejum para pedir a ajuda divina, os coptas aguardam com esperança a escolha do sucessor de Shenuda III, que morreu em março aos 88 anos.

A cerimônia de amanhã vai acontecer na catedral de Abassiya, no Cairo, onde o papa interino, padre Bajomios, realizará uma missa em que estarão presentes os três finalistas, os bispos Rafael e Tauadros, e o padre Rafael Ava Mina.

No final da homilia, os nomes dos candidatos serão escritos em três cédulas brancas das mesmas dimensões, que serão exibidas aos fiéis antes de serem fechadas e depositadas em uma urna de cristal no altar.

Ali, um menino com os olhos vendados elegerá ao acaso uma das três cédulas, na crença de que sua mão será guiada pela Providência Divina.

A sorte não só intervirá para a designação do patriarca, como também na seleção do menino que participará do processo, já que cerca de 200 crianças se dispõem como voluntários nas listas da catedral.

Nesta semana, várias famílias cristãs incluíram os nomes de seus filhos com a esperança de que sejam escolhidos para a ocasião histórica.

Para agilizar o processo, o bispo Bajomios propôs escolher os dez mais novos dos 200 meninos, que têm entre cinco e oito anos de idade.

As crianças estarão na catedral amanhã, cobertos com uma manta branca e atrás de uma cortina, até que Bajomios escolha um deles sem vê-lo.

Então será o momento da pequena mão do menino escolher o novo papa, como ocorreu com seus antecessores Shenuda III e Kirolos VI.


O secretário do papa interino, padre Angelos Ishak Masud, afirmou que essa ‘loteria’ é o melhor método para determinar ‘a escolha de Deus’ para o Pontificado.

No entanto, o ritual não é isento de polêmica, já que alguns dizem que não tem base espiritual ou legal, e que só foi usado dez vezes para escolher o papa desde que começou a ser aplicado no século VIII.

O ato de amanhã acontecerá depois que no último dia 29 os três finalistas foram selecionados entre cinco candidatos em uma votação em que participaram prelados de todos os cantos do Egito, personalidades seculares da comunidade copta e cinco representantes da Igreja etíope-ortodoxa.

Os três candidatos a papa são o bispo Rafael, ex-assistente de Shenuda III; o bispo Tauadros, da província de Beheira, e assistente do padre Bajomios; e o padre Rafael Ava Mina, monge de um convento no deserto ocidental, perto da cidade de Alexandria.

Após a escolha do patriarca, o novo papa assumirá oficialmente o cargo no dia 18. Enquanto isso, terá a opção de começar a exercer suas novas funções na sede do Pontificado ou se isolar em um mosteiro.

Tradicionalmente, a primeira visita do novo papa é à catedral de Alexandria, junto à costa Mediterrânea, onde estão os restos mortais de São Marcos, que disseminou o cristianismo no Egito no século I.

O papa Shenuda III ocupava o cargo desde 1971 e morreu em 17 de março. Desde sua morte, exerceu como papa interino o bispo Bajomios, cuja principal tarefa foi coordenar a escolha do futuro pontífice máximo.

Os coptas representam 10% dos 80 milhões de egípcios e sua Igreja foi fundada no século I d.C.

O nome deriva da palavra grega aigyptios (egípcio), que se transformou em gipt e depois em qibt, de onde se originou a voz árabe ‘qibti’ (copta).

Embora a palavra ‘copta’ signifique ‘egípcio’, hoje denomina os cristãos egípcios e mais especificamente os cristãos de rito ortodoxo, que representam a maioria desta comunidade no Egito. EFE