Um encontro pelo fim da ameaça nuclear de Kim Jong-un

ÀS SETE - O ditador norte-coreano escreveu que o encontro representa “uma nova história começa agora – era da paz, desde o ponto de partida da história”

Enquanto você toma seu café da manhã no Brasil, o ditador norte-coreano, Kim Jong-un, e o presidente sul-coreano, Moon Jae-in, se preparam para um jantar minuciosamente planejado.

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Serão servidos macarrão frio ao estilo norte-coreano, peixe assado e batatas rosti – uma homenagem à juventude de Kim, quando, supostamente, ele estudou na Suíça.

Para beber, vinho de azaleias e um licor conhecido como munbaeju, originário da Coreia do Norte, mas hoje produzido na vizinha do sul.

A sobremesa também será simbólica: musse de manga enfeitado com o mapa das Coreias e servido em uma cumbuca de madeira, que simboliza as hostilidades entre os países, a ser quebrada com um martelo.

Cada detalhe foi pensado devido à importância da ocasião. A reunião de hoje é histórica por vários motivos. É a primeira vez em 65 anos que um líder da Coreia do Norte pisa no país vizinho.

Também é apenas a terceira vez na história que os mandatários das Coreias se encontram e a segunda vez que Kim Jong-un se reúne com outro chefe de estado, desde que assumiu o poder em 2011, após uma visita rápida à China no mês passado.

A cúpula também deve preparar o terreno para o que deve ser um encontro ainda mais importante: a reunião entre o presidente americano Donald Trump e Kim, marcada para acontecer em maio ou junho.

Em mais simbolismo, Kim Jong-un cruzou a pé a fronteira entre os dois países, que, tecnicamente, permanecem em guerra, já que um tratado de paz nunca foi assinado desde o final da Guerra das Coreias, em 1953.

O caminho para paz na península é um dos tópicos de discussão da cúpula. Moon já afirmou que a assinatura de um tratado de paz “deve ser buscada” para pôr um fim definitivo no conflito.

Segundo a agência Reuters, o ditador norte-coreano escreveu, no livro de convidados da Casa da Paz sul-coreana, “Uma nova história começa agora – era da paz, desde o ponto de partida da história”, na mensagem.

O objetivo principal do encontro é discutir a desnuclearização da Coreia do Norte, aumentando as chances de um acordo entre o país e os Estados Unidos, após meses de tensão sob a ameaça de uma escalada nos conflitos.

A Coreia do Norte vem dando indicativos que estaria disposta a abrir mão de suas armas nucleares, mas as contrapartidas que seriam exigidas aos EUA para isso ainda não estão claras. Com Moon, é provável que Kim busque discutir um alívio às sanções impostas ao seu país.

O cronograma do encontro incluiu uma rodada de conversas pela manhã, almoços separados, uma cerimônia de plantio de árvores à tarde e uma nova rodada de diálogos à tarde, para depois encerrar com uma declaração conjunta antes do jantar.

Diante das poucas horas reservadas para discutir assuntos de tamanha complexidade é improvável que o encontro renda qualquer acordo concreto, mas é um dos passos mais importantes até agora para um entendimento entre as duas Coreias. Com muito munbaeju, claro.