A tensão entre EUA e Turquia

O secretário de Estado americano, Rex Tillerson, chega hoje à Turquia com uma pasta cheia de assuntos a resolver. O problema é entender qual deles é mais importante para o atual governo de Donald Trump, já que esta é também a primeira interação diplomática entre os dois países desde que o presidente assumiu o cargo em janeiro.

Entre os assuntos da pasta de Tillerson, três ocupam o topo da lista: o combate ao que resta do Estado Islâmico (EI); o crescimento do Irã como força militar na região; e o crescimento da presença russa nos países do Oriente Médio. 

De acordo com o Departamento de Estado americano, nas conversas com o presidente Recep Tayyip Erdoğan e seus principais ministros, Tillerson deve tratar principalmente da questão do radicalismo islâmico. O problema é que há um impasse nas posições americanas e turcas sobre o a questão: na luta contra o EI, os Estados Unido têm apoiado um grupo armado curdo que há 40 anos tem liderado insurgências na Turquia. Caso os Estados Unidos mantenham a postura de eliminar o EI a todo custo, podem afastar a Turquia e fazer com que um grande aliado na região se aproxime da Rússia. Caso Tillerson manifeste interesse em uma ofensiva — inclusive militar — contra o Irã, ele deve ganhar o apoio irrestrito dos turcos e as relações dos dois países irão prosperar.

O referendo que aumentaria os poderes de Erdogan, objeto de tensão entre a Turquia e governos da Europa, como a Alemanha e a Holanda, será votado no dia 16 de abril — grupos de direitos humanos afirmam que o autoritarismo está latente na região, desde a tentativa de golpe que o governo sofreu no ano passado. Golpe que a gestão Erdogan afirma ter sido orquestrado por Fethullah Gulen, um clérigo residente no estado da Pensilvânia. Para o turcos, sua extradição é questão de honra. Os americanos desconversam. A ver se hoje é dia de decidir, ou de postergar.