Um dos descobridores do ebola critica gestão da OMS

Microbiologista criticou a organização por não admitir a tempo a gravidade da epidemia do ebola no oeste africano

Dacar – O microbiologista belga Peter Piot, um dos descobridores do ebola, criticou a Organização Mundial da Saúde (OMS) por não ter admitido a tempo a gravidade da epidemia do vírus no oeste da África.

“A OMS precisou de três meses para descobrir que havia uma epidemia de ebola. Isto eu entendo. Na Guiné [país onde o vírus apareceu primeiro] só tinha uma pequena rede de laboratórios”, disse Piot em entrevista com a emissora Al Jazeera, que será exibida no sábado.

“Ao contrário, é muito mais difícil para mim entender que a OMS precise de cinco meses […] para declarar estado de urgência”, explicou o cientista.

“Isto custou a vida de mil africanos […] Não há desculpa para isto […] Levou tempo demais, perdemos um tempo precioso”, assegurou.

Autoridades da Guiné e da OMS não anunciaram até março que o vírus tinha deixado 87 casos suspeitos no país desde janeiro, entre os quais 61 mortos.

Além disso, a OMS não declarou até 8 de agosto a epidemia como “urgência para a saúde pública de alcance mundial”.

Segundo o microbiologista belga, a crise se agravou ainda mais por uma reação excessiva da comunidade internacional diante da doença, sobretudo em Estados Unidos.

“Há uma epidemia no oeste da África e há uma segunda epidemia, uma epidemia de histeria maciça que se viu, sobretudo, na América do Norte”, assegurou Piot, diretor da London School of Hygiene and Tropical Medicine.

Segundo o mais recente balanço da OMS, o vírus matou 6.070 pessoas de um total de 17.145 infectados.