Dia de ouvir Donald Trump

Donald Trump certamente não gosta de sair da ribalta. Em um dia tão atarefado em Washington, com as sabatinas dos nomeados para os altos postos do governo no Congresso e o aguardo do início das votações para repelir o Obamacare no Senado, o presidente eleito conseguiu chamar a atenção para Nova York: convocou a primeira coletiva de imprensa desde julho para esta quarta-feira.

A oportunidade é perfeita para a imprensa americana encarar de frente o homem que ocupará a Casa Branca por quatro anos e perguntar sobre as principais propostas do presidente. Na pauta devem entrar temas como: construção e os custos do muro com o México, a imposição de taxas de importação, o hack russo nas eleições, a expulsão de muçulmanos e imigrantes, a separação entre negócios e a presidência.

É esperado que o evento aconteça às 11h de Nova York, 14h em Brasília, na Trump Tower. Trump tem um histórico de cancelar encontros prometidos anteriormente — a conferência de hoje originalmente deveria ter acontecido em 15 de dezembro, mas foi adiada. 

Opositores do governo afirmam que a data foi escolhida a dedo, para retirar a atenção de um dia cheio de assuntos importantes e sobrecarregar o público. Afinal, não longe de Nova York, Rex Tillerson, o executivo da petroleira Exon Mobil indicado como Secretário de Estado será sabatinado pelo Congresso, e o líder republicano do Senado, Mich McConnell prometeu votar leis orçamentárias que começariam a desmembrar o Obamacare. O dia ainda deve ser dedicado às repercussões do discurso de despedida de Barack Obama, feito na noite de ontem, em Chicago. Trump não gosta mesmo de ficar em segundo plano.