Últimos rebeldes sírios deixam Ghouta Oriental

Com a saída dos último rebeldes sírios da região de Ghouta Oriental, regime sírio retoma controle da região após anos de guerra

Os insurgentes da última cidade rebelde da região de Ghouta Oriental entregaram suas armas pesadas e seu líder deixou a área, marcando uma importante vitória do regime e encerrando uma de suas mais sangrentas ofensivas em sete anos de conflito na Síria.

Milhares de combatentes do grupo Jaish al-Islam e suas famílias continuavam a deixar a cidade de Duma, onde, em 7 de abril, um suposto ataque químico atribuído ao regime provocou dezenas de mortos.

Esse ataque despertou o clamor internacional e ameaças de bombardeios ocidentais.

O presidente sírio, Bashar al-Assad, alertou contra qualquer ação ocidental na Síria que “desestabilize ainda mais a região”.

Graças principalmente ao apoio militar russo, Assad multiplicou as vitórias sobre rebeldes e jihadistas desde 2015.

O Exército russo também anunciou nesta quinta-feira em Moscou que a bandeira do governo sírio flutuava sobre Duma e a retomada de “toda Ghouta Oriental”.

O regime ainda não anunciou publicamente a reconquista de Duma, última cidade rebelde de Ghouta Oriental que fugia ao seu controle.

Mas os rebeldes, submetidos há semanas a uma chuva de bombas do regime, não parecem mais capazes de lutar. O grupo Jaish al-Islam finalmente concordou com um acordo de evacuação patrocinado por Moscou, semelhante aos firmados com outras facções para deixar Ghouta.

“Os combatentes do Jaish al-Islam entregaram suas armas pesadas à polícia militar russa em Duma na quarta-feira”, informou o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

“A maioria dos líderes do Jaish al-Islam, incluindo seu chefe Issam Buwaydani, deixaram Duma” para os territórios rebeldes no norte da Síria, informou.

Segundo Yasser Delwane, uma autoridade do Jaish al-Islam, “foi o ataque químico que nos fez a aceitar” a evacuação. “Nem todos os líderes partiram. O processo prossegue”.

 Morte, destruição, evacuação

Segundo os moradores de Duma, a bandeira síria foi hasteada na quarta-feira na principal mesquita, mas uma briga começou, com troca de tiros e a bandeira foi removida.

Membros da polícia militar russa também foram embora depois do incidente.

Não ficou claro se esta bandeira era a mesma que a mencionada pelo Exército russo.

Nesta quinta-feira, combatentes e civis se preparavam para deixar Duma e 80 ônibus deveriam partir dos arredores de Damasco, de acordo com uma fonte militar na passagem de Al-Wafidin, onde os preparativos estão ocorrendo.

Cerca de trinta ônibus já foram fretados, segundo a mesma fonte.

O regime fez da reconquista dos territórios rebeldes na região de Ghouta Oriental uma prioridade, dada a sua proximidade da capital Damasco.

Em 18 de fevereiro, lançou uma ofensiva aérea e terrestre, de uma violência rara contra o enclave rebelde, causando a morte de mais de 1.700 pessoas, segundo o OSDH.