Uefa sabia em 1998 que Platini tinha contrato com a Fifa

Um relatório revelado pelo "Le Journal Du Dimanche" mostra que Platini iria receber da Fifa um milhão de francos suíços como salário

Paris — Um relatório interno da Uefa elaborado em 1998 mostra que a organização conhecia já naquele ano que Michel Platini tinha um contrato com a Fifa, o que o ex-jogador francês espera que possa contribuir para invalidar as acusações que sofreu por corrupção.

O documento, revelado neste domingo pelo “Le Journal du Dimanche” e cuja existência os advogados de Platini confirmaram à Agência Efe, foi distribuído em novembro de 1998 à cúpula da Uefa, quando a entidade era presidida pelo sueco Lennart Johansson, em reunião em Estocolmo.

“Michel Platini esteve envolvido na campanha da eleição de JSB (Joseph Sepp Blatter, presidente da Fifa). Este último já anunciou que Platini se tornará diretor esportivo da Fifa”, afirma o relatório interno da associação europeia.

O texto diz que “foi falado em 1 milhão de francos suíços como salário” de Platini na Fifa.

Essa frase constitui, aos olhos da defesa do ex-jogador e de outras pessoas próximas de Platini, a prova de que ele não tinha um contrato “oculto” com Blatter, supostamente como pagamento por ter lhe apoiado na campanha para renovar seu mandato em 2011, que é o que a justiça suíça investiga e é sustentado pela acusação no Comitê de Ética da Fifa.

Platini recebeu em 2012, pouco depois da reeleição de Blatter, 1,8 milhão de euros da Fifa, o que motivou a abertura de uma investigação de ambos.

O ex-jogador alegou o tempo todo que se tratava de recebimento por seus trabalhos de assessoria à Fifa entre 1998 e 2002.

“Toda a base do relatório acusatório do Comitê de Ética da Fifa afunda com este relatório. Eles sustentavam sua acusação argumentando que não havia nenhum contrato e, portanto, supunham que o pagamento em 2012 era porque Platini comprou votos para Blatter. Agora sabemos que isso é falso”, disse à Agência Efe o jurista Thomas Clay, membro da equipe de defesa de Platini.

A nota interna, que os advogados levarão na próxima semana à Corte Arbitral do Esporte (CAS), “mostra que a relação contratual” entre o craque francês e a Fifa “era conhecida, e não secreta”, acrescentou.

A relação contratual entre Platini e a Fifa tinha sido já confirmada pelo presidente da organização, Joseph Blatter, embora não demonstrada em nenhum documento escrito.

Em recente entrevista à agência russa “TASS”, Blatter lembrou que propôs a Platini trabalhar para ele após a Copa de 1998, mas ouviu do francês, que está suspenso temporariamente como ele, um pedido salarial de 1 milhão de francos anuais, um número consderado alto pela Fifa.

“Assinamos um contrato, mas não por essa quantia. Ele trabalhou para mim até 2002, quando o elegeram para o comitê executivo da Uefa e da Fifa. Depois disso, o contrato foi cancelado, já que ele se tornou em representante oficial da Uefa”, explicou.

Em 2010, Platini pediu à Fifa para que lhe pagassem a dívida, e Blatter respondeu que o próprio chefe da Uefa deveria calcular o montante.

“A conta fechou em 2 milhões (de francos suíços), à razão de meio milhão por ano. Eu aprovei o pagamento. Esse é meu lema: se devo dinheiro a alguém, devo pagar. Isso é tudo. Esse dinheiro não foi um pagamento por nenhuma outra coisa”, frisou.

Apesar da suspensão de 90 dias imposta pelo Comitê de Ética da Fifa, Platini, que recorreu à Corte Abritral do Esporte (CAS), mantém sua candidatura a presidir a entidade máxima do futebol mundial.