UE se organiza para detectar ebola antes da chegada do vírus

Companhias continuam assegurando que rotas aéreas entre a Europa e países da África devem submeter seus passageiros à detecção da febre

Bruxelas – Embora se considere “altamente improvável” o risco de uma epidemia de ebola no território da União Europeia, o bloco adota desde o verão no hemisfério Norte medidas de prevenção para detectar de forma eficaz a chegada do vírus no Continente europeu.

Cada Estado-membro é responsável por sua aplicação.

Exame de passageiros

Aplicando as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), as companhias aéreas que continuam assegurando as rotas aéreas entre a Europa e os países do oeste da África devem submeter seus passageiros, no local de partida, à detecção da febre.

A princípio, um passageiro com febre não pode embarcar no avião até que se verifique seu estado de saúde.

No entanto, segundo os especialistas, este controle não é infalível, já que a pessoa em questão pode fazer baixar a febre com paracetamol.

Se forem registrados sintomas durante o voo, o passageiro será isolado dentro do avião e, em sua chegada ao destino, uma equipe médica fará sua transferência.

Londres anunciou nesta quinta-feira que completaria este dispositivo, introduzindo a detecção em seus principais aeroportos e terminais do trem Eurostar.

Em nível europeu, a UE discutirá em 17 de outubro como reforçar os controles, o que por enquanto a OMS não recomenda.

Não são recomendadas viagens às zonas de risco, particularmente para Guiné, Serra Leoa e Libéria.

Informações para viajantes e pessoal médico

Serão colocados à disposição folhetos para os passageiros que voltam das zonas de risco, convidando-os a monitorar sua temperatura durante 21 dias, o período máximo de incubação do vírus, e contatar um médico caso a febre seja superior ou igual a 38 graus Celsius.

O pessoal médico deve estabelecer os antecedentes dos pacientes que os contatarem com supostos sintomas de ebola e enviá-los, em caso de dúvidas, aos hospitais de referência indicados por cada país.

Estes hospitais devem possuir quartos com pressão negativa para permitir o isolamento, equipamento de proteção e pessoal formado.

Em caso de contaminação, está previsto o acompanhamento das pessoas próximas ao paciente.

A UE se comprometeu nesta quinta-feira a reforçar este tipo de informação. Na Bélgica, houve médicos gerais que se queixaram de não ter recebido recomendações.

Protocolos para repatriamento sanitário

A Comissão Europeia quer garantir que o pessoal médico enviado à África possa, se for necessário, se beneficiar de repatriações sanitárias seguras.

Desde o início da epidemia, só oito evacuações deste tipo foram feitas para a UE em aviões militares ou recorrendo a uma empresa privada americana.

A UE tenta elaborar a lista de recursos aéreos disponíveis com a ideia de criar “guardas aéreas” entre a meia dúzia de países dispostos a colocar à disposição os aparelhos (Espanha, França, Itália, Luxemburgo, Bélgica, Dinamarca e Noruega, que não faz parte da UE).